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O envelhecimento populacional é um fenômeno observado em todo o mundo. Diversos fatores concorrem para o aumento de população de idosos: melhor controle das doenças crônicas, infecciosas, dos fatores de risco cardiovascular, desen-volvimento dos métodos diagnósticos e terapêuticos, entre outros.
Associados a esses avanços estão a redução das taxas de mortalidade e fertilidade.
É natural que, com o crescimento da população idosa, surja um maior número de problemas médicos relacionados às patologias dessa faixa, dentre as quais destacam-se as doenças cardiocirculatórias.
Nos países mais desenvolvidos a preocupação já se manifesta nas dotações orçamentárias destinadas à prevenção, tratamento de patologias e assistência aos idosos.
Na Inglaterra a população de idosos corresponde a cerca de 17% do total e utiliza 60% do orçamento destinado à saúde, além de ocupar mais de 50% dos leitos hospitalares, com permanências duas vezes maiores do que outros grupos etários.
Nos países mais desenvolvidos tem sido dada grande atenção à ciência geriátrica e gerontológica, não só em destinação orçamentária, como também em produção científica (trabalhos, livros e pesquisas).
Podemos citar a Inglaterra, Suécia, Holanda, Suíça e Espanha, e mais recentemente Israel e Estados Unidos como os que mais investem nessa área.
No nosso país, como outros em desenvolvimento, a atenção à população idosa é precária. O atendimento a outras prioridades, como o combate às doenças infecto-parasitárias e assistência materno-infantil, tem deixado de lado a assistência ao idoso.
O Brasil não é mais um país de jovens e caminha para ser uma nação de longevos. As projeções para o ano de 2025 nos apontam como a 6ª maior população de idosos do mundo.
Teremos 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, perfazendo 15% da população geral. O crescimento da população idosa no Brasil, numa projeção entre 1980 e 2000 aponta em torno de 56%.
Se considerarmos que todo o idoso é potencialmente um coronariopata até prova em contrário, e que a doença arterial coronariana (DAC) é responsável pela grande maioria dos óbitos após 65 anos, começamos a compreender a importância da Cardiogeriatria.
Será que sabemos quase tudo sobre o coração do idoso?
Certamente não! Para sermos mais exatos, e sem exagero, sabemos muito pouco.
Em recente simpósio de Cardiogeriatria em São Paulo, ouvimos de colegas estrangeiros a mesmíssima opinião.
Pouco se sabe sobre a farmacodinâmica, farmacocinética e biodisponibilidade dos fármacos nessa faixa etária.
Ainda precisam ser melhor compreendidos os parâmetros de alguns exames complementares em Cardiologia.
O metabolismo particular dos idosos, as co-morbidades, as reações/paradoxais e interações medicamentosas interferem com o diagnóstico, tratamento e prognóstico, e constituem grande desafio a ser vencido.
Por tudo isso, a iatrogenia é infelizmente freqüente nesta faixa.
Pelo que foi exposto, constitui para nós do Departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia/DF, motivo de justo orgulho a escolha de Brasília para sediar o próximo Simpósio Nacional de Cardiogeriatria a se realizar em agosto de 1998, juntamente com o 1º Simpósio de Psicologia e Nutrição para o idoso.
Certamente esse evento, pelo seu aspecto multidisciplinar e importância científica, muito contribuirá para melhorar o atendimento e a qualidade de vida do idoso.
* Antônio Paulo Filomeno é da Direção Nacional do GEBRAC - Grupo de Estudos em Cardiogeriatria/Departamento de Cardiogeriatria-SBC/DF
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