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A hérnia de disco lombar é uma das doenças mais freqüentes na prática clínica dos neurocirurgiões e ortopedistas.
Estima-se que 30% dos gastos com dores lombares nos EUA são em decorrência de pacientes portadores de hérnia de disco (3).
As causas intrínsecas dessa herniação discal se devem às diferenças histológicas na composição e disposição das fibras colágenas do ânulo fibroso; essas fibras possuem uma disposição lamelar descontínua e incompleta na porção posterior do ânulo fibroso, o que facilita a protusão do núcleo pulposo que comprime a raiz nervosa, produzindo os sintomas.
Outros fatores também considerados importantes por alguns setores são ligamento longitudinal posterior estreito nessa região da coluna, os processos degenerativos próprios do envelhecimento, traumas etc.
A freqüência das herniações discais lombares aumentam rostro-caudalmente nos níveis situados entre L1 e S1.
O tratamento, ao contrário do que muitos pensam é a princípio conservador, ou seja, a cirurgia é indicada somente em pacientes com sintomas refratários ao tratamento com:
- Repouso (absoluto por uma semana e relativo por mais três semanas) (2):
- analgésicos (não esteróides), relaxantes musculares, e às vezes, benzo-diazepínicos.
Nesse período pode também ser útil o uso de calor local. Após essa fase de repouso poderá ser utilizado o tratamento fisioterápico.
A realização correta desse tratamento evitará que aproximadamente 80% dos pacientes se submetam à cirurgia.
Todavia, é importante ressaltar que em casos de compressão de cauda equina que resulte em distúrbios esfincterianos ou déficit motor súbito, a cirurgia deve ser indicada de urgência.
Em relação aos exames de imagem, os mais indicados são a tomografia computadorizada e a ressonância magnética (4).
A associação de mielografia e tomografia computadorizada promove um alto grau de sensibilidade para o diagnóstico (1), porém tem o inconveniente de ser um exame mais invasivo para o paciente.
Os maiores avanços vêm acontecendo no que diz respeito ao tratamento cirúrgico dessa doença. Essas cirurgias para pacientes portadores de hérnia de disco lombar vêm evoluindo no sentido de se tornarem cada vez menos invasivas.
Técnicas como laminectomias bilaterais ou mesmo unilaterais (realizadas a olho nu), hoje já foram superadas.
Atualmente damos especial importância ao uso do microscópio cirúrgico e instrumentais para microcirurgia, onde apenas o ligamento amarelo é retirado, (e às vezes nem mesmo retirado mas apenas deslocado, e ao término do procedimento é reposicionado na sua localização anatômica original).
Outras opções são as cirurgias percutâneas ou endoscópicas. Essas podem ser realizadas por vias anterior, póstero-lateral ou posterior.
No caso de se usar a via anterior ou a póstero-lateral existe o inconveniente de conseguir bons resultados em apenas poucos casos, ou seja, naqueles onde existe apenas um abaulamento ("bulging") do ânulo fibroso para dentro do canal medular (10% dos casos operáveis).
Pela via posterior podem ser operados mesmo os casos com protusão discal importante, atingindo resultados semelhantes aos comparados com a cirurgia aberta.
Nessa técnica posterior videoassistida não se faz incisão na pele, mas sim uma dilatação da mesma, e o procedimento cirúrgico é realizado por uma abertura de apenas 16mm.
Obviamente essas técnicas mais recentes e modernas têm como objetivo principal o menor gasto com material cirúrgico, menor tempo de internação e um pós-operatório mais tranqüilo e confortável para o paciente.
Referências
1. Bischoff RJ, Rodriguez RP, Gupta K, et al: A comparison of computed tomographymyelography, magnetic ressonance imaging and myelography in the diagnosis of herniated nucleus pulposus and spinal stenosis. J. Spinal Dis 1993; 6: 289-295.
2. Long DM: Decision making in lumbar disk disease. Clin Neurosurg 1991; 39: 36-51.
3. Shvartzman L, Weingarten E, Sherry H, et al: Cost effectivenees analysis of extended conservative therapy versus surgical intervention in the management of herniated lumbar intervetebral disc. Spine 1992; 17: 176-182.
4. Sotiropoulos S, Chafetz N, Lang P, et al: Differentiation between postoperative scar and recurrent disk herniation: Prospective comparsion of MR, CT and contrast enhanced CT. AJNR 1989; 10: 639-643.
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