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20 de November de 2017

Acompanhamento médico regular facilita diagnóstico precoce e cura de câncer de próstata

Os homens brasileiros vão menos ao médico do que as mulheres. De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE, 2015), apenas 63,9% dos homens procuraram um profissional médico nos 12 meses anteriores à entrevista, contra 78% das mulheres.

A ausência de acompanhamento periódico pode reduzir drasticamente as chances de cura de doenças graves e muitas vezes silenciosas em seus estágios iniciais, como o câncer de próstata, o segundo tipo mais recorrente pessoas do sexo masculino.

O tumor prostático é responsável por 10% de todas as mortes provocadas por câncer em pacientes do sexo masculino, ficando atrás dos tumores de pulmão e intestino. “Mas quando diagnosticado precocemente, 9 em 10 tratamentos de homens com a doença têm resultado positivo”, afirma o coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia e um dos maiores especialistas em câncer de próstata do Brasil, Fernando Maluf.

Por isso, fazer o devido acompanhamento médico é fundamental. “A partir dos 50 anos, o homem deve consultar um urologista anualmente e fazer os exames preventivos para a doença. A primeira consulta deve ser antecipada para os 45 anos e feita semestralmente se o paciente apresentar algum fator de risco, como obesidade, sedentarismo, tabagismo, má alimentação ou casos da doença na família”, recomenda.

QUESTÃO CULTURAL – Na avaliação do urologista do Hospital Santa Lúcia, Rafael Rocha, a menor procura por médicos reflete o comportamento machista apresentado por alguns homens, que costumam julgar-se invulneráveis e associam idas ao consultório como algo necessário apenas a crianças, mulheres e idosos.

“Em função disso, o que vemos na prática é que as mulheres costumam viver em média 7 anos a mais do que os homens” revela. Ainda de acordo com ele, as doenças da próstata estão entre as principais queixas que levam os indivíduos do sexo masculino a buscar atendimento urológico, juntamente com as doenças sexualmente transmissíveis e os cálculos renais.

“Infelizmente, muitos só procuram o médico quando sentem algum sintoma ou desconforto no trato urinário e, na maioria das vezes, por insistência de uma mulher — como a esposa, a mãe ou a filha. O que mais os afugenta é o receio de realizar o exame digital da próstata, fundamental para avaliação de doenças prostáticas”, contextualiza o especialista.