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27 de February de 2018

Câncer de próstata: estudo genético pode auxiliar na identificação de pacientes que desenvolverão metástase

Um estudo publicado pelo Journal of Clinical Oncology avaliou o risco de pacientes com câncer de próstata desenvolverem metástase — condição na qual o câncer se espalha do local onde começou (sítio primário) para outras partes do corpo. Os cientistas pesquisaram pacientes cuja doença era localizada e com características desfavoráveis: tumores muito volumosos, com alto nível do marcador tumoral detectado em um exame de sangue antígeno prostático específico (PSA) e indicação de agressividade.

Além de avaliar os fatores conhecidos, os pesquisadores usaram uma plataforma genética para identificar os indivíduos que teriam ou não metástase. “Os pacientes que, nesta plataforma, apresentaram uma expressão de genes de agressividade aumentada tiveram o risco de desenvolver metástase 3 vezes maior do que aqueles que, na plataforma genética, não tiveram genes de agressividade expressos. Assim, esta plataforma é importante porque ajuda a refinar ainda mais a identificação de quais pacientes têm mais chances de desenvolver metástases, o que permite antecipar a incorporação de novas estratégias ao tratamento”, explica o oncologista Fernando Maluf, coordenador do Centro de Oncologia do Grupo Santa.

O tumor prostático é responsável por 10% de todas as mortes provocadas por câncer em pacientes do sexo masculino, ficando atrás dos tumores de pulmão e intestino. “Mas quando diagnosticado precocemente, 9 em 10 tratamentos de homens com a doença têm resultado positivo”, afirma Maluf, um dos maiores especialistas em câncer de próstata do Brasil.

A doença atinge um em cada seis homens ao longo da vida, provoca a morte de um em cada 35 pacientes diagnosticados e, segundo o Instituto Nacional de Câncer, deve acometer mais de 61 mil homens brasileiros este ano, fazendo quase 14 mil vítimas fatais. Em geral, o câncer de próstata é uma doença de desenvolvimento lento que, inicialmente, não gera qualquer sintoma. As chances de cura podem chegar a 95% dos casos quando a doença é descoberta em sua fase inicial. Por isso, fazer o devido acompanhamento médico é fundamental.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO – O diagnóstico do câncer de próstata é feito a partir da retirada de pequenos fragmentos da camada periférica dessa glândula para biópsia. “Contudo, o procedimento só é realizado se o urologista tiver suspeita clínica da doença, indicada por alterações no volume e textura da glândula — identificadas durante o exame de toque retal — ou nos índices do PSA”, explica.

De acordo com Fernando Maluf, os tratamentos variam de acordo com a idade e o estado geral do paciente e podem incluir técnicas como a braquiterapia — a utilização de fontes de radiação para combater o tumor no local onde ele está, evitando o contato com tecidos sadios — e/ou a intervenção cirúrgica para retirada do órgão.

Outras possibilidades são os bloqueadores hormonais, que podem ser indicados para pacientes muito idosos e que não serão submetidos a tratamento cirúrgico ou ainda para indivíduos já em estágios mais avançados da doença. Quando a condição é mais agressiva, o paciente pode receber indicação de tratamento oncológico.