Controle do colesterol diminui chances de retorno do câncer de mama

Um novo estudo publicado no Journal of Clinical Oncology, um dos periódicos científicos sobre oncologia mais importantes do mundo, sugeriu que mulheres diagnosticadas com câncer de mama que fazem uso de medicamentos para o controle do colesterol têm menos chances de recidiva da doença quando comparadas às que não os utilizam.

 

A pesquisa envolveu 8.010 mulheres, entre as quais 789 haviam iniciado terapias de redução do colesterol, além do tratamento hormonal após a cirurgia para cura do câncer de mama. “As pacientes que fizeram tratamento para o colesterol apresentaram uma melhor sobrevida livre da doença, com uma redução de 21% no risco de recidiva e com uma chance 26% menor de metástase — quando o câncer se espalha para outras áreas do corpo além do seu sítio inicial “, revela o oncologista do Hospital Santa Lúcia, Fernando Maluf, um dos maiores especialistas em câncer do Brasil.

 

De acordo com ele, estudos preliminares têm relacionado o colesterol como fator de risco para vários cânceres, incluindo os de mama e de próstata. Isso ocorre porque o colesterol reflete, em parte, dificuldades metabólicas dos pacientes associadas à obesidade e diabetes. Uma das pesquisas realizadas sugere que, a cada aumento de 10mg no nível de colesterol, o risco de retorno do tumor cresce em 9%.

 

“Além disso, os genes que controlam os níveis de colesterol têm influência na progressão do câncer e podem contribuir para aumentar a velocidade de seu crescimento e a ocorrência de metástases”, explica Fernando Maluf.

 

Baseado nisso, cientistas têm relacionado o uso de medicações anticolesterol à redução na incidência dos cânceres de mama, útero e próstata, bem como na diminuição do risco de recidiva desses tumores.

 

Um exemplo disso é o estudo que comparou 18.721 pessoas que usavam estatina — uma das substâncias mais comuns para o controle do colesterol — antes de receberem seu diagnóstico de câncer com 277.204 que nunca haviam tomado a medicação. O resultado: a população que fazia uso da estatina apresentou redução de 15% no risco de morte por 13 tipos diferentes de tumores.

 

“Pesquisas como essas levantam um potencial achado em que pacientes com câncer de mama precoce, tratadas com hormonioterapia pós-cirurgia e que usem medicações para diminuir o colesterol, podem ter seu prognóstico melhorado. Apesar dos mecanismos para isso ainda não serem conhecidos e necessitarem de mais estudos, já podemos dizer que se trata de um achado importante, com potencial benefício em curto prazo”, finaliza o médico.

 

26/06/2017

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