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15 de March de 2018

Diagnóstico precoce aumenta chances de cura de cânceres de próstata e pele

O dianóstico precoce dos cânceres de próstata e pele aumentam consideravelmente as chances de cura de ambas as doenças. Esses dois tipos de tumores estão no topo de lista dos mais incidentes no Brasil este ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde.

O câncer de próstata responde por 10% de todas as mortes provocadas por câncer em homens, mas “quando diagnosticado precocemente, 9 em 10 tratamentos têm resultado positivo”, afirma Fernando Maluf, coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia e um dos maiores especialistas do país no assunto.

O diagnóstico do câncer de próstata é feito a partir da retirada de pequenos fragmentos da camada periférica dessa glândula para biópsia. “Contudo, o procedimento só é realizado se o urologista tiver suspeita clínica da doença, indicada por alterações no volume e textura da glândula — identificadas durante o exame de toque retal — ou nos índices do PSA”, explica Maluf.

De acordo com ele, os tratamentos variam de acordo com a idade e o estado geral do paciente e podem incluir técnicas como a braquiterapia — a utilização de fontes de radiação para combater o tumor no local onde ele está, evitando o contato com tecidos sadios — e/ou a intervenção cirúrgica para retirada do órgão.

Outras possibilidades são os bloqueadores hormonais, que podem ser indicados para pacientes muito idosos e que não serão submetidos a tratamento cirúrgico ou ainda para indivíduos já em estágios mais avançados da doença. Quando a condição é mais agressiva, o paciente pode receber indicação de tratamento oncológico.

CÂNCER DE PELE – O câncer de pele não melanoma, que está entre os mais incidentes no Brasil, corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no país, mas apresenta altos percentuais de cura quando detectado precocemente, segundo o INCA. A doença está comumente associadA à exposição à radiação UV, idade avançada, herança genética, cor de pele mais clara, radioterapia prévia e inflamações crônicas (como queimaduras anteriores), além de infecções pelos vírus HIV ou HPV, entre outras causas.

“O sol é a principal fonte de UV e o efeito gerado pela radiação ultravioleta B (UVB) na pele pode provocar danos ao DNA, gerando o tumor. Os idosos têm mais chance de ter câncer de pele devido à exposição ao sol acumulada ao longo do tempo, e pessoas com tons de pele mais claros (menos melanina) têm uma menor proteção contra as radiações UV”, detalha a oncologista do Hospital Santa Lúcia, Cláudia Ottaiano.

Em geral, tumores de pele diagnosticados precocemente, sejam do tipo melanoma ou não melanoma, são tratados com a retirada cirúrgica do tumor e têm bons índices de cura. No caso dos melanomas iniciais, a cirurgia é o tratamento mais indicado. A radioterapia e a abordagem sistêmica também podem ser utilizadas, a depender do estágio do câncer.

Já nos casos de doença metastática — quando as células tumorais se espalharam para outros órgãos —, relevantes avanços aconteceram nos últimos anos. A imunoterapia, que age regulando o sistema imunológico do paciente contra as células tumorais, e as drogas específicas para paciente que apresentam mutação do gene BRAF mudaram o cenário do tratamento do melanoma avançado.