Novo estudo mostra que vitamina D pode retardar progressão de câncer colorretal

Um estudo desenvolvido pelo Instituto Dana-Farber, nos Estados Unidos, demonstrou que a ingestão de vitamina D em altas quantidades pode ser capaz de retardar a progressão do câncer colorretal em pacientes já diagnosticados com metástase.

 

Apresentado no encontro anual da Associação Americana de Oncologia Clínica, o trabalho preliminar – realizado com 139 pessoas – abre uma nova perspectiva para o controle da progressão deste tipo de tumor e pode impactar também pacientes com câncer de mama e pulmão.

 

“O estudo sugere que o desenvolvimento de tumores pode ser desacelerado em indivíduos com câncer colorretal que recebam suplementação de vitamina D como tratamento adjunto da quimioterapia e dos medicamentos biológicos”, explica o coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, Fernando Maluf, um dos maiores especialistas da área no Brasil.

 

De acordo com ele, a vitamina D tem mostrado alguns benefícios que ultrapassam a inibição da proliferação do tumor e sugerem até mesmo que ela possa induzir a apoptose, que é a morte celular em pacientes com câncer colorretal, mas também de outros tipos. “Apesar de estudos com linhas celulares terem identificado que o câncer colorretal poderia ser mais sensível a ela, pacientes com tumores na mama e pulmão também poderiam se beneficiar”, revela.

 

Todavia, o oncologista faz um alerta: “O resultado é preliminar e ainda não muda a conduta médica, pois é necessário outro estudo de fase III, com número maior de pacientes. Entretanto, ele é absolutamente promissor, até mesmo porque a vitamina D é barata e não tem efeitos colaterais significativos”, acrescenta.

 

O ESTUDO – A pesquisa foi realizada com pacientes que faziam tratamento do câncer colorretal com quimioterápicos associados a um medicamento biológico para impedir o crescimento dos vasos sanguíneos que irrigam o tumor.

 

Eles foram divididos em dois grupos. O primeiro recebeu alta dosagem de vitamina D, enquanto o segundo recebeu a quantidade padrão da substância. Nos pacientes em que maiores doses da vitamina foram administradas, a doença demorou mais para progredir: 13,1 meses. No outro grupo, esse tempo foi menor e chegou, em média, a 11,2 meses.

 

Os cientistas não detectaram efeitos colaterais associados à alta dosagem em nenhum deles e identificaram, inclusive, redução significativa de episódios de diarreia – efeito colateral comum dos medicamentos antitumorais – em tais pacientes.

 

10/07/2017

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