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Mieloma múltiplo

O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia maligna de origem hematopoiética. Este tipo de câncer é caracterizado pela proliferação clonal de plasmócitos (células de origem de linfócitos B) na medula óssea, podendo levar à disfunção de órgãos.

O câncer corresponde a cerca de 1% dos tumores malignos e 10-15% das neoplasias hematológicas. Estima-se que são diagnosticados em torno a 7,4 casos/ 100 mil habitantes por ano. É mais frequente em negros que em brancos (2 para 1) e ligeiramente mais frequente (1,5x) em homens que em mulheres. O mieloma múltiplo é responsável por uma mortalidade de 3,4/ 100 mil habitantes por ano.

Quais são as principais causas e fatores de risco deste tipo de câncer?

O mieloma múltiplo é uma doença típica do idoso. Mais de 90% dos casos ocorrem após os 50 anos de idade, com média de diagnóstico de 70 anos.

Quais são os subtipos deste câncer?

No mieloma, o plasmócito clonal produz em excesso um tipo específico de proteína relacionada à imunoglobulina humana (IgG, IgA, IgM, IgD, IgE) ou parte dela (cadeia leve kappa ou lambda), denominada proteína monoclonal (proteína-M), paraproteína ou pico-M, e, em alguns casos, nenhuma paraproteína (mieloma não secretor). Com pouca frequência, estão descritos casos de mieloma múltiplo biclonal, onde aparecem 2 picos monoclonais. Partindo desse conceito, o mieloma múltiplo é classificado em subtipos:

  • Mieloma múltiplo IgG (podendo ser kappa ou lambda).
  • Mieloma múltiplo IgA (podendo ser kappa ou lambda).
  • Mieloma múltiplo IgM (podendo ser kappa ou lambda).
  • Mieloma múltiplo IgD (podendo ser kappa ou lambda).
  • Mieloma múltiplo IgE (podendo ser kappa ou lambda).
  • Mieloma múltiplo de cadeias leves kappa ou lambda.
  • Mieloma múltiplo não secretor.

Quais são as manifestações clínicas do mieloma múltiplo?

A maioria dos pacientes é diagnosticada com sinais e sintomas de infiltração plasmocitária (óssea ou de outros órgãos) ou lesão renal por deposição de proteína monoclonal tumoral. As principais manifestações clínicas são:

Doença óssea – Dor óssea, principalmente no tórax e coluna, induzida pela movimentação (60% dos casos), déficit motor ou sensitivo, fraturas patológicas ou redução da altura.

Insuficiência renal – Presente em até 48% dos casos. A insuficiência renal é secundária principalmente à nefropatia obstrutiva — “rim do mieloma” — e à hipercalcemia. Pode ser agravada por infecção, desidratação, uso de medicamentos nefrotóxicos e contraste venoso.

Anemia – Com sintomas como palidez, astenia e cansaço, a anemia é secundária à infiltração medular por plasmócitos, lesão renal ou hemodiluição quando há níveis elevados de proteína monoclonal. Corresponde a 73% dos casos.

Hipercalcemia – É atribuída à liberação de fatores ativadores de osteoclastos pelas células tumorais (ativação da destruição óssea). A reabsorção óssea induzida por osteoclastos pode ocorrer em áreas focais discretas (lesões líticas) ou em todo o esqueleto. A alta taxa de reabsorção óssea está associada à ausência de formação óssea mediada por osteoblastos, resultando em perda óssea difusa. É responsável por 28% dos casos.

Infecções bacterianas recorrentes – Secundárias à disfunção de linfócitos e plasmócitos normais e à hipogamaglobulinemia.

Compressão medular por fratura patológica ou plasmocitoma – Dor local no sítio de compressão associada à fraqueza ou parestesia de membros inferiores, constipação intestinal e retenção urinária. Corresponde a 5% dos casos.

Como é feito o seu diagnóstico?

Para o diagnóstico de mieloma múltiplo, é necessária biópsia e/ ou aspirado de medula óssea que demonstre uma infiltração >10% de plasmócitos. Para complementar o estudo e classificar o mieloma como sintomático ou assintomático, são realizados testes de sangue e urina e exames de imagem dos ossos.

Quais são os principais tratamentos para a doença?

O tratamento está baseado em terapia de suporte (fraturas ósseas, infecções, insuficiência renal etc.), quimioterapia e transplante autólogo de medula óssea.

O Hospital Santa Lúcia tem um excelente time de profissionais que realiza reuniões multidisciplinares para debater os casos, a fim de alcançar as melhores estratégias para cada paciente, buscando sempre um tratamento humanizado e individualizado. A instituição conta ainda com uma excelente equipe de Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia, Odontologia e Psicologia para melhor atender as pacientes com mieloma múltiplo.