|
|
Dr. Lázaro Fernandes de Miranda*
A medicina baseada em evidências nos leva a concluir que atualmente já é considerada negligência, omissão e má prática da arte hipocrática, a não aplicação, salvo raras e bem definidas contra-indicações, da terapia de reposição hormonal (TRH) na mulher hipoestrogênica.
É na área cardiovascular e no sentido de se evitar fraturas secundárias e a osteoporose, que reside os maiores benefícios da TRH, resultando em significativa redução da mortalidade cardiovascular e total ao longo do extenso período da pós-menopausa.
Diante de tão relevantes benefícios, concluímos que do ponto de vista cardiovascular, não há nenhuma contra-indicação absoluta - apenas algumas relativas (trombose venosa familiar idiopática, tromboflebites de repetição, mulheres grandes fumantes e insuficiência hepática) - para a necessária reposição estrogênica.
De tal forma que, ao ser consultado, o cardiologista atualizado, quase que invariavelmente, consentirá e realçará os benefícios cardiovasculares da TRH, bem como controlará eventuais condições limitantes, tais como hipertensão arterial, hipertrigliceridemia e diabetes mellitus, pois é inquestionável o favorável resultado dessa intervenção, na grande maioria dos casos.
Deve-se atribuir sempre ao ginecologista ao ginecologista a responsabilidade pela prescrição da TRH, após minuciosa avaliação uterina e mamária, bem como o estabelecimento de um inconteste convencimento da paciente, resultando numa aliança, uma real cumplicidade em relação aos inúmeros benefícios, mas também aos efeitos colaterais e às potenciais complicações a médio e longo prazos (adenocarcinoma de endométrio e neoplasias mamárias).
Isso posto, o médico optará, tanto quanto possível, por estrógenos naturais (estradiol), bem como, em busca da melhor estratégia, associará estrógeno à medroxiprogesterona, definindo também a via (oral,transdérmica etc), e os esquemas de administração.
* Dr. Lázaro Fernandes de Miranda é Cardiologista e Coordenador Científico do Centro de Estudos do Hospital Santa Lúcia
|
|
|