Sarampo
Dr. Bruno Vaz da Costa
Médico Pediatra de
doenças infecto-contagiosas
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O sarampo é uma doença viral, infecto-contagiosa e atinge com mais severidade populações de baixo nível sócio-econômico.
O contágio acontece através de secreções respiratórias. Os indivíduos expostos podem adquirir as infecções através de gotículas veiculadas por tosse ou espirro, por via aérea, podendo as partículas virais permanecerem por tempo relativamente longo no meio ambiente.
A transmissão inicia-se antes do aparecimento da doença e perdura até o 4º dia após o aparecimento da erupção.
Antes da existência da vacina, o sarampo era considerado uma doença incurável. O período de incubação, geralmente, é de 8 a 12 dias.
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Vírus
Morbillivirus
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Quadro clínico
O vírus se instala na mucosa do nariz e dos seios ( 1 ) para se reproduzir e depois para ir para a corrente sanguínea.
A indisposição que antecede a doença têm duração de 3 a 5 dias e caracterizam-se por:
- febre alta;
- mal estar;
- coriza(2 ) ;
- conjutevite;
- tosse;
- falta de apetite.
Nesse período podem ser observadas na face interna das bochechas as manchas brancas (Koplik) que são características da doença.
O exantema maculopapular (pinta na pele) inicia-se na região retroauricular, espalhando-se para a face, pescoço( 3 ) , membros superiores, tronco e membros inferiores. A febre persiste com o aparecimento do exantema.
No 3º dia, o exantema tende a esmaecer, apresentando descamação fina com desaparecimento da febre, sendo a sua persistência sugestiva de complicação.
Presença de gânglios é manifestação comum do sarampo em região do pescoço e nuca.
A diarréia é ocorrência freqüente em crianças com baixo nível sócio-econômico.
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Sarampo modificado
Ocorre em crianças parcialmente imunizadas. Apresenta uma queda leve da doença. Pode ocorrer, ocasionalmente, após a vacina contra o sarampo.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, pode ser realizada sorologia.
Complicações
- Otite média aguda;
- Pneumonia bacteriana;
- Laringite e laringotraqueíte;
- Manifestações neurológicas-raras;
- Cardíacas, miocardite, pericardite;
- Panencefalite esclerosante subaguda: complicação rara que acomete o sistema nervoso central após 7 anos da doença.
Tratamento
É uma doença autolimitada, não existindo tratamento específico, requer cuidados especiais, tais como:
- Repouso;
- Dieta líquida ou branda, conforme aceitação da criança:
- Antitérmicos e analgésicos devem ser utilizados quando houver febre elevada e/ou cefaléia;
- Oferecer líquidos à vontade;
- Limpeza das pálpebras com água morna para remoção de crostas ou secreções;
- Tratar com antibióticos as complicações bacterianas (otites, pneumonia, laringotraqueobronquite).
Prevenção
Vacina específica, protege 97% dos vacinados. É indicada para todas as crianças que não tiveram a doença ou para aquela com dúvidas a respeito. Ela pode ser vacinada após o 9º mês de vida.
As reações à vacina são: febre, coriza e/ou tosse leve e discreta, exantema entre o 4º e 12º dia pode ocorrer em 20% dos vacinados.
Contra-indicações para vacinação
- Mulheres grávidas.
- Transfusão de sangue, plasma ou gamaglobulina há menos de seis semanas. Aguardar 3 meses.
- Portadores de hipogamaglobulina, disgamaglobulina, comprovadas.
- Uso de ACTH, corticóides, irradiação, antimetabólitos e alquilantes.
- Febre alta e comprometimento geral importante.
- Portadores de leucose, linfoma e tumor maligno.
Prognóstico
Para crianças bem nutridas é bom. No desnutrido e lactente jovem o prognóstico é pior.
Hospital Santa Lúcia
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