21,7% da população do Distrito Federal já foi diagnosticada com pressão alta

Dados da nova edição da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) realizada anualmente pelo Ministério da Saúde apontam que 21,7% da população do Distrito Federal já recebeu diagnóstico de pressão alta. O índice é menor que a média nacional registrada, de 25,7%.

 

A pesquisa, divulgada na última semana pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, entrevistou por telefone 53.210 pessoas com mais de 18 anos entre fevereiro e dezembro de 2016 e mostrou um aumento de 14,2% no número de diagnosticados com hipertensão na última década.

 

Enquanto em 2006, 22,5% dos entrevistados declararam possuir diagnóstico médico da doença, no ano passado, 25,7% afirmaram a mesma coisa. Segundo a Vigitel, o crescimento da obesidade também nos últimos 10 anos – passando de 11,8%, em 2006, para 18,9%, em 2016, e atingindo quase um em cada cinco brasileiros – é um dos fatores que pode ter colaborado para o aumento da prevalência da hipertensão.

 

“A hipertensão arterial pode acarretar doenças graves, porque ataca os vasos sanguíneos, o coração, os rins e o cérebro. É um dos principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal terminal com necessidade de hemodiálise. Contudo, esses problemas podem ser evitados com o diagnóstico precoce e tratamento adequado da pressão alta”, explica o cardiologista do Hospital Santa Lúcia, Fausto Stauffer.

 

MÉDIA SAUDÁVEL – A diretriz brasileira estabelece que a meta considerada saudável para a pressão arterial é de 120×80mmHg. Quando a pressão máxima está entre 120 e 139mmHg e a mínima entre 80 e 89mmHg, o paciente apresenta um quadro de pré-hipertensão e, a partir de 140mmHg por 90mmHg, ele é considerado hipertenso.

 

“Manter a pressão arterial controlada e dentro da meta de 12 por 8, como se diz popularmente, pode reduzir em até 25% o risco de doenças cardiovasculares como infarto do miocárdio, angina e AVC”, revela o especialista.

 

PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO – Além da idade e do histórico familiar, a má qualidade da alimentação e o excesso de peso ou obesidade são fatores de risco para desenvolvimento da hipertensão arterial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que menos de 5 gramas de sal sejam ingeridas por dia e, por isso, manter uma dieta equilibrada ajuda a evitar a doença.

 

“Os alimentos industrializados têm sempre grande quantidade de sódio e devem ser evitados. Além disso, a obesidade é fator de risco e deve ser combatida com um estilo de vida saudável”, ressalta o médico.

 

A hipertensão arterial é diagnosticada quando duas medidas elevadas da pressão são feitas no consultório do especialista e ainda por meio de exames complementares, como a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA), exames que são realizados na residência do paciente.

 

TRATAMENTO – Todo paciente hipertenso deve utilizar medicações de acordo com a prescrição médica e consultar o cardiologista pelo menos uma vez ao ano para que sejam pesquisadas lesões nos órgãos-alvo da doença: olhos (retina), rins, vasos sanguíneos e coração.

 

“Apenas quando a hipertensão é considerada secundária – decorrente de alguma outra patologia – há chance de cura, desde que a doença causadora seja eliminada. Em geral, ela é crônica e deve ser controlada para que o paciente leve uma vida normal”, finaliza Fausto Stauffer.

 

24/04/2017

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