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07 de May de 2020

75% dos diagnósticos de câncer de ovário acontecem em estágio avançado

O diagnóstico tardio de qualquer doença dificulta o seu tratamento e diminui as chances de cura. No caso de um câncer, suas consequências podem ser ainda mais graves. É o caso do câncer de ovário, doença silenciosa e praticamente assintomática em suas fases iniciais e que, por isso, é diagnosticada em estágios avançados em cerca de 75% dos casos.

Segundo a médica oncologista do Hospital Santa Lúcia, Adriana Moura, mesmo quando os sintomas surgem, são pouco específicos. “Em geral, são vagos e podem incluir desconforto ou dor abdominal, sensação de que comeu em excesso após alimentar-se, perda de peso inexplicável, aumento do volume abdominal, cansaço incomum e dor nas costas ou durante o ato sexual”, revela.

Por isso, o acompanhamento médico regular com um ginecologista e a realização periódica de exames preventivos é fundamental. Quando diagnosticado e tratado no estágio 1, ou seja, quando a doença está localizada, a taxa de sobrevida da paciente em cinco anos é de cerca de 92%.

Todavia, apenas cerca de 15% dos cânceres de ovário são diagnosticados nesta fase. “Quando a doença acomete órgãos regionais (vizinhos), a taxa de sobrevida em 5 anos cai para 76%. Já no estágio avançado, com acometimento de outros órgãos distantes, a taxa de sobrevida em cinco anos é ainda mais reduzida, chegando a apenas 30%”, destaca a especialista.

FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO – Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de ovário deve atingir 6.650 mulheres no Brasil em 2020. O que fazer, então, para evitar que isso ocorra com você? A resposta é simples: agir para evitar os fatores de risco controláveis e monitorar a saúde do aparelho reprodutivo regularmente.

A obesidade, o tabagismo e o excesso de álcool aumentam o risco de tumor no ovário. Desta forma, controlar o peso, não fumar e diminuir ou cessar a ingestão de bebidas alcoólicas é fundamental.

“Recomendamos realizar atividade física regularmente e manter uma dieta rica em frutas, vegetais e grãos integrais. Também é importante eliminar o consumo de alimentos ultraprocessados e fast foods, além de evitar açúcares refinados, como os presentes em alimentos processados, sobremesas e bebidas com muito açúcar”, reforça a médica.

Outros fatores importantes, porém inevitáveis, como o avançar da idade (especialmente após os 40 anos), a existência de casos da doença na família (parentes de 1º grau) e problemas reprodutivos – a exemplo da primeira menstruação precoce ou da menopausa tardia – devem ser acompanhados por um especialista.

Mas o risco aumentado de câncer de ovário também está associado a outras questões, como ter filhos após os 35 anos ou fazer uso de hormônios em tratamentos de infertilidade ou em terapias pós-menopausa.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO – A detecção do câncer de ovário pode ser feita por meio de exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, realizados diante de algum sintoma suspeito.

Os tratamentos podem incluir cirurgia ou quimioterapia, a depender do tipo do tumor, da extensão da doença, da idade e das condições clínicas da paciente e do fato de o tumor ser inicial ou recorrente.

“No Centro de Oncologia do Santa Lúcia, temos uma equipe especializada em tumores ginecológicos, além de todo o suporte da radiologia e radioterapia para o diagnóstico e tratamento humanizado com os melhores equipamentos disponíveis no mercado”, finaliza a oncologista Adriana Moura.