Beber mais água no período seco ajuda a prevenir infecções urinárias

O clima seco favorece o surgimento de infecções urinárias. Isto acontece porque, nesta época do ano, o organismo tende a desidratar com mais velocidade, o que faz com que a quantidade de urina produzida diminua, já que os rins têm menos líquido para filtrar. Além disso, a baixa umidade costuma ocorrer mais fortemente no inverno, quando as baixas temperaturas diminuem a sensação de sede.

 

“O resultado destes fatores é que, ao mesmo tempo, o indivíduo perde mais líquido e ingere menos. Assim, a produção de urina em menor quantidade e mais concentrada facilita o surgimento de infecções”, explica o urologista do Hospital Santa Lúcia, Renato Argollo.

 

A infecção do trato urinário é provocada por bactérias — em 85% das vezes pela Escherichia coli. Em geral, a contaminação acontece pela passagem desses micro-organismos do intestino para a uretra. Por causa da proximidade entre a vagina e o intestino, e pelo fato de possuírem uretra mais curta, as mulheres são mais atingidas pela doença que os homens. Cerca de 80% dos casos acontecem em pessoas do sexo feminino, contra 20% de ocorrências no sexo masculino.

 

SINTOMAS – As infecções urinárias são classificadas em dois tipos: baixas, também conhecidas como cistite, porque envolvem apenas a bexiga; e altas, chamadas de pielonefrites por envolverem os rins.

 

Os sintomas mais comuns das infecções baixas incluem ardência e/ou dor ao urinar, aumento da frequência das micções, vontade repentina de ir ao banheiro e até incontinência urinária. Nos casos das infecções altas, também são comuns dores lombares, náusea, febre e mal-estar.

 

FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO – Além de fatores genéticos, disfunções na anatomia do trato urinário que podem ser corrigidos com cirurgia e problemas funcionais, especialmente na bexiga, os fatores de risco mais usuais para a ocorrência de infecções urinárias estão vinculados a hábitos de vida.

 

“Ingerir diariamente pelo menos dois litros de água, além de outros líquidos, é muito importante para diluir a urina e dificultar a proliferação de bactérias. Praticar exercícios físicos, evitar situações de estresse, higienizar a genitália, principalmente após atividade sexual, usar roupas íntimas arejadas e evitar segurar urina na bexiga por tempo excessivo também são atitudes fundamentais”, recomenda o especialista.

 

PERFIL DOS PACIENTES
– Segundo o médico, mulheres com vida sexual ativa são as mais suscetíveis às infecções do trato urinário. “O ato sexual não tem papel importante na transmissão de bactéria, mas facilita a ascensão de germes intestinais, que se encontram na vagina, para a uretra”, detalha.

 

Também correm mais risco de desenvolver a doença mulheres idosas, pessoas com imunidade baixa — como pacientes com diabetes, AIDS e depressão —, indivíduos com deficiência física (paraplégicos) e pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs).

 

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO – O diagnóstico das infecções urinárias é feito a partir das queixas do paciente que possam sugerir a presença da enfermidade e confirmado por meio de exames de urina específicos.

 

A maioria das infecções pode ser reconhecida e tratada pelo clínico geral. Contudo, casos de infecção de repetição ou em que o tratamento realizado não tenha resolvido o problema devem ser acompanhados por um urologista, que fará uma abordagem especializada da situação do paciente.

 

Em muitas das vezes, o tratamento envolve o uso de antibióticos para eliminar as bactérias. Algumas situações requerem também medicamentos para amenizar os sintomas de ardência urinária e, nos casos de pielonefrite, o paciente pode precisar de internação hospitalar para receber antibióticos e hidratação venal.

 

O diagnóstico correto e o tratamento preciso são essenciais. “Um dos principais riscos da falta de tratamento ou do uso inadequado de antibióticos é o desenvolvimento de resistência bacteriana, que pode levar a infecções graves com complicações diversas, tais como abscesso renal (pus no rim), bacteremia (infecção na corrente sanguínea) e até septicemia (infecção disseminada grave)”, alerta Renato Argollo.

14/08/2016

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