Cientistas explicam como o estresse pode aumentar risco cardíaco

Pesquisadores norte-americanos demonstraram indícios de como o estresse provoca inflamações no organismo e pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC).

 

De acordo com um estudo realizado na Universidade de Harvard e publicado na revista The Lancet, uma das mais importantes publicações científicas do mundo, indivíduos com maior atividade nas amígdalas cerebelosas (grupos de células responsáveis pelas emoções e localizadas dentro dos lobos temporais mediais do cérebro, uma de cada lado) têm mais chance de desenvolver cardiopatias — inclusive mais precocemente.

 

O estudo se baseou na avaliação de duas pesquisas diferentes. A primeira analisou cérebro, medula óssea, baço e artérias de 292 pacientes durante quase quatro anos. Neste período, 22 pacientes desenvolveram doenças cardiovasculares e todos tinham em comum uma atividade maior nas amígdalas do cérebro.

 

Já a segunda pesquisa avaliada foi realizada com apenas 13 pacientes para analisar a relação entre os níveis de estresse e a ocorrência de inflamações no corpo. Essa análise sugeriu a relação entre o estresse e o aumento da produção de células brancas pela medula óssea, com consequente inflamação nas artérias.

 

“Ao acompanhar 300 pessoas, os cientistas conseguiram relacionar achados de atividade nesta área específica do cérebro e a ocorrência de inflamação sistêmica no corpo, com sinais de aterosclerose — que é o acúmulo de gorduras, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias e dentro delas”, explica o cardiologista do Hospital Santa Lúcia, A. Tito Paladino F., Doutor em Cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP).

 

Segundo o especialista, há muitos anos o estresse já é um fator de risco a se considerar na avaliação de pacientes cardiopatas. “O corpo sob pressão e constante estímulo adrenérgico apresenta alterações com consequências já sabidas no sistema cardiovascular, como a elevação da pressão arterial e a ocorrência de doença coronariana”, explica o médico. “A diferença, desta vez, é que essa relação ficou mais clara”, acrescenta.

 

COMBATE AO ESTRESSE – Como não é exatamente um problema fácil de mensurar, o estresse deve ser combatido de forma gradual e contínua. Mudanças no estilo de vida devem ser a principal intervenção em todos os pacientes que querem prevenir ou até mesmo tratar doenças, entre elas as cardiovasculares.

 

“Cada indivíduo precisa encontrar o seu caminho. Praticar atividades como ioga, estar em contato com a natureza, cuidar de um bicho de estimação, ouvir música, procurar relaxar e equilibrar os momentos de trabalho certamente faz muito bem. Manter boas relações familiares, com amigos e no trabalho também está entre os principais pontos a serem abordados em situações de estresse extremo”, reforça o cardiologista.

 

“Se somarmos isso à adoção de um estilo de vida que inclua a prática cotidiana de exercícios físicos; uma alimentação o mais natural possível, feita em horários definidos, rica em nutrientes e pobre em gorduras, sódio e açúcares; à cessação do tabagismo e à diminuição do consumo de álcool, além de um sono reparador, os riscos de doenças cardiovasculares são muito reduzidos”, finaliza o médico.

 

20/02/2017

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