Descoberta de novos genes relacionados ao câncer de ovário pode melhorar prognóstico da doença

Um novo estudo, desenvolvido com a participação de 200 pesquisadores de todo o mundo, identificou seis novos genes relacionados ao desenvolvimento do câncer de ovário, o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o de menor chance de cura. A descoberta permitirá melhorar o prognóstico para o desenvolvimento da doença nas pacientes portadoras de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que agem produzindo proteínas que determinam a morte de células tumorais.

 

 

“O teste de pesquisa de mutação BRCA 1 e 2 continuará sendo a principal ferramenta para avaliar o risco de câncer de ovário hereditário. A identificação de mais seis porções destes genes, relacionadas ao câncer, aumenta a segurança do resultado do teste”, afirma a oncologista do Hospital Santa Lúcia, Patrícia Schorn.

 

 

O histórico familiar de câncer de ovário ou de mama antes dos 40 anos de idade é um fator de risco para a doença, mas a origem genética corresponde a apenas 10% dos casos. Entretanto, a probabilidade de uma mulher com mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2 desenvolver o câncer de ovário chega a 60%. Nestes casos, é preciso um acompanhamento médico rigoroso. Uma medida possível para prevenir o desenvolvimento da doença é o uso de contraceptivos orais. Já a retirada preventiva dos ovários, como fez a atriz americana Angelina Jolie, é considerada uma solução extrema.

 

 

“Os testes genéticos BRCA 1 e 2 são recomendados para mulheres com história familiar com dois ou mais parentes de primeiro grau com câncer de mama ou ovário antes dos 40 anos; história pessoal de câncer de mama bilateral (nas duas mamas); ou ainda familiar de primeiro grau do sexo masculino com câncer de mama”, explica Patrícia Schorn.

 

 

MUDANÇA DE HÁBITOS – Cerca de 90% dos casos de câncer de ovário estão ligados a fatores de risco modificáveis. “Não há fator de risco externo diretamente relacionado à doença, mas estudos sugerem uma relação entre ela e outras como a obesidade e o sedentarismo”, explica a médica. “Assim, a prática de exercícios físicos, a manutenção de uma dieta saudável e peso normal, além da cessação do tabagismo, são muito importantes”, enfatiza.

 

 

A presença de cistos no ovário não determina o desenvolvimento do câncer no órgão. O perigo só existe quando eles são maiores que 10 cm e possuem áreas sólidas e líquidas. Nesse caso, quando detectado o cisto, a cirurgia é o tratamento indicado.

 

 

DIAGNÓSTICO – Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 3/4 dos cânceres de ovário são diagnosticados já em fase avançada. Isso ocorre porque, na fase inicial, ele não apresenta sintomas específicos. Entretanto, à medida que o tumor cresce, pode causar pressão, dor ou inchaço no abdômen, pelve, costas ou pernas; náusea, indigestão, gases, prisão de ventre ou diarréia; e cansaço constante.

 

 

A maioria dos tumores de ovário são carcinomas epiteliais (câncer que se inicia nas células da superfície do órgão), o mais comum, ou tumor maligno de células germinativas (que dão origem aos espermatozoides e aos ovócitos – chamados erroneamente de óvulos). Também de acordo com o INCA, 5.680 novos casos da doença foram estimados para o ano passado e, em 2011, a doença levou a óbito 3.027 mulheres em todo o país.

 

 

ACOMPANHAMENTO MÉDICO – Por isso, consultar o médico ginecologista pelo menos uma vez por ano é essencial. “O ideal é fazer sempre uma consulta ginecológica com exame físico e realização de ecografia transvaginal neste intervalo”, recomenda Patrícia Schorn. “Não existe um padrão em prevenção do câncer de ovário na população sem os riscos genéticos ou modificáveis, como a obesidade e o sedentarismo. Por isso, o acompanhamento médico permanente é a melhor alternativa”, acrescenta.

 

 

TRATAMENTO – Entre as alternativas de tratamento estão a radioterapia, a quimioterapia e, de acordo com o caso, a cirurgia. Tudo vai depender do tipo do tumor, do momento em que ele foi descoberto, da idade e das condições clínicas da paciente. Se a doença for detectada no início – especialmente nas mulheres mais jovens – é possível remover somente o ovário afetado.

12/07/2015
   |   Fonte: Ascom - Grupo Santa

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