Diabetes atinge 16 milhões de brasileiros e causa 72 mil mortes por ano

Mais de 16 milhões de brasileiros adultos sofrem de diabetes, doença que mata anualmente 72,2 mil pessoas acima de 30 anos de idade e representa 6% do todas as mortes no Brasil. Os dados fazem parte de um relatório divulgado este ano pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e mostram, neste Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro, que a população brasileira precisa mudar seus hábitos de vida se quiser evitar as complicações causadas pela doença, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

 

O diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo aumento da glicose no sangue. O distúrbio se dá quando o pâncreas deixa de produzir insulina – hormônio responsável pela absorção da glicose pelos órgãos – em quantidade suficiente (diabetes tipo 1) ou quando o organismo se torna resistente à sua ação, o que faz com que as células precisem de cada vez ­mais insulina para absorver a glicose do sangue (diabetes tipo 2).

 

“Cerca de 90% dos casos de diabetes correspondem ao tipo 2, que pode ser controlado com o monitoramento dos fatores de risco, como excesso de peso, obesidade e sedentarismo”, explica o cardiologista Fausto Stauffer, médico do Hospital Santa Lúcia. De acordo com ele, esse tipo de diabetes causa pouquíssimos sintomas no início, o que dificulta o seu diagnóstico, realizado por meio de exame de sangue como a dosagem da glicemia de jejum, a hemoglobina glicosilada e a avaliação da curva glicêmica do paciente.
“A avaliação de glicemia de jejum e hemoglobina glicosilada deve ser realizada como rotina pelo menos uma vez ao ano a partir dos 40 anos de idade. Em indivíduos com sobrepeso e acima dessa idade, é preciso realizar ainda a curva glicêmica, para aumentarmos a chance de diagnóstico precoce”, detalha o especialista.

 

AUMENTO DOS CASOS E PREVENÇÃO – Ainda segundo a OMS, 422 milhões de adultos em todo o mundo viviam com diabetes em 2014, quatro vezes mais do que em 1980. No mesmo período, a prevalência da doença quase duplicou, de 4,7% para 8,5% da população adulta, o que reflete um aumento dos fatores de risco associados.
No Brasil, o predomínio do diabetes é de 8,1%, ligeiramente abaixo da média mundial, e é maior nas mulheres (8,8%) do que nos homens (7,4%). Fatores de risco como o excesso de peso afetam 54,2% dos brasileiros, a obesidade, 20,1% e a inatividade física, 27,2%.

 

O diabetes tem controle e, em alguns casos, a partir da adoção de um estilo de vida mais saudável, é possível reverter o quadro do paciente. “Do ponto de vista do estilo de vida, a recomendação quanto à dieta inclui a restrição da ingestão de açúcares e carboidratos. Ao longo dos anos, estes tipos de alimentos podem levar pessoas com predisposição genética e histórico familiar a desenvolver a doença. Além disso, é importante realizar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física, divididos de três a cinco vezes, sob orientação médica”, reforça Fausto Stauffer.

 

TRATAMENTO – Quando não tratado, o diabetes pode ter consequências graves e levar à falência dos rins, amputação de membros, cegueira e doenças cardiovasculares, como infarto. No estágio chamado de pré-diabetes – termo usado para indicar que o paciente tem potencial elevado para desenvolver a doença, quando já existe resistência à ação da insulina no organismo – os riscos para o indivíduo são praticamente os mesmos.

 

O tratamento depende do tipo do diabetes e dos níveis de glicose do paciente. Enquanto alguns podem necessitar de insulina para controlar a doença, outros conseguem atingir metas saudáveis de açúcar no sangue apenas com a adoção de comportamentos mais sadios e uso de medicações orais. Em pacientes obesos, a cirurgia bariátrica se mostrou eficaz para controlar os níveis de glicose.

 

“É possível fazer uso de medicamentos que facilitam a ação da insulina nos órgãos ou que aumentam a sua secreção no organismo. Medicações mais recentes podem diminuir também a absorção de carboidratos e eliminar a glicose pela urina. Outra linha de tratamento farmacológico é o uso de insulinas de longa e curta duração, com esquemas que simulam a secreção fisiológica do nosso organismo”, revela o cardiologista.

16/11/2016

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