Doença renal crônica afeta cerca de 15 milhões de brasileiros

Para funcionar bem, o corpo humano precisa eliminar as toxinas resultantes do metabolismo corporal como ureia, creatinina e ácido úrico, manter os níveis de água no organismo equilibrados para evitar o aparecimento de edemas (inchaços) e aumento da pressão arterial; além de produzir hormônios que auxiliam em tarefas como a formação de glóbulos vermelhos e absorção de substâncias como o cálcio, que fortalece os ossos. Mas, segundo dados do Ministério da Saúde, os rins de cerca de 10% da população brasileira adulta – aproximadamente 15 milhões de pessoas – não conseguem desenvolver essas tarefas plenamente.

 

 

É a essa redução das funções que renais que se dá o nome de doença renal crônica (DRC). Entretanto, essa alteração está classificada em cinco estágios que identificam sua gravidade e prejuízos ao corpo,embora a maioria  dos casos não apresente sinais e sintomas de fácil percepção em seu início. As fases vão desde o acometimento discreto até a falência do órgão.

 

 

“No estágio 1 da doença, a função renal ainda é considerada normal, mas já pode haver perda de proteínas e/ou sangue pela urina. No estágio 2, o paciente, embora totalmente assintomático, já apresenta elevação de creatinina e ureia no sangue.  No estágio 3 da DRC o paciente já apresenta anemia. A partir do estágio 4, há diminuição do apetite, emagrecimento, pele amarelada, náuseas e vômitos, e no estágio 5 há a necessidade de diálise ou transplante”, detalha o nefrologista do Hospital Santa Lúcia, Evandro Reis.

 

 

Alguns sinais e sintomas clínicos como dor de cabeça, cansaço fácil e falta de ar durante anoite costumam aparecer no estágio 3 da DRC e podem até ser confundidos com insuficiência cardíaca. O terceiro estágio da doença é geralmente diagnosticado quando o paciente está em busca do diagnóstico de uma possível anemia. Na fase 4, a sintomatologia pode ser agravada com a diminuição do apetite, emagrecimento, pele amarelada, náuseas e vômitos, principalmente na parte de manhã.

 

 

“A DRC é, frequentemente, de evolução silenciosa. No estágio 3 (que se divide em A e B), é frequentemente diagnosticada quando o paciente está em busca de um diagnóstico de anemia. A partir do estágio 3B, surge anemia e acentua-se a  elevação de creatinina e ureia. A partir do estágio 4, o paciente passa a apresentar sintomas como a diminuição do apetite, emagrecimento, pele amarelada, náuseas e vômitos, principalmente matinais”, detalha o  médico.

 

 

A doença renal crônica é mais prevalente no homem que na mulher e costuma prevalecer em indivíduos a partir dos 40 anos de idade. Além disso, estima-se que 50% da população acima de 60 anos possui algum grau de deficiência da função renal. Segundo o médico, a população costuma associar a doença renal crônica à necessidade imediata de suporte dialítico com procedimentos de filtragem do sangue. Mas não é bem assim.

 

 

“Quando o Clearance de Creatinina (quantificação da função renal) é menor ou igual a 10ml/min, o que caracteriza o estágio 5 da doença renal crônica, é que inicia-se o suporte dialítico ou faz-se transplante. Nos estágios anteriores, as principais recomendações são a manutenção de uma dieta com restrição protéica e hiposódica [com pouco sal], além de um rigoroso controle da pressão arterial para retardar a progressão da doença e minimizar os sintomas”, detalha o médico.

 

 

CAUSAS, PREVENÇÃO E SINTOMAS – O desenvolvimento da DRC está fortemente relacionado à ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis, em especial diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS). O desequilíbrio nas taxas de gordura no organismo, a exemplo do colesterol, o tabagismo,o sedentarismo e a obesidade também estão entre os principais fatores de risco da doença renal crônica e aceleram o seu curso.

 

 

“Por isso, o diagnóstico e controle precoce das causas mais frequentes [diabetes mellitus e hipertensão arterial] e a adoção de um estilo de vida saudável, que inclua a prática regular de atividades físicas, o controle do peso com uma dieta balanceada que contenha pouco sal, gorduras, doces e massas são fundamentais. Beber pelo menos dois litros de água por dia, não fumar e evitar – ou pelo menos reduzir – o consumo de bebidas alcoólicas também são atitudes muito importantes”, avalia Evandro Reis.

 

 

DETECÇÃO E EXAMES – Fazer exames periódicos de sangue e urina é uma das recomendações mais eficazes para detectar um possível dano renal, permitir o diagnóstico precoce e início do tratamento para estacionar ou retardar a progressão da doença. “O exame simples de urina [EAS] deve ser feito desde a infância. Na fase adulta, é preciso acrescentar exames de detecção de uréia , creatina no sangue. Nos portadores de diabetes acrescenta-se glicose [açúcar] também no sangue”, esclarece o médico. A realização destes exames é essencial nas pessoas que tem história familiar de diabetes e hipertensão.

 

 

Caso algum problema seja identificado o paciente deve ser encaminhado  ao nefrologista para avaliação e seguimento. Exames de aprofundamento devem ser solicitados pelo médico nefrologista para quantificar a função renal (ClCr) e a proteinúria (perda de proteínas) na urina 24/h. “Também podem ser feitos exames de ultrassonografia renal e via urinária. Se houver perda excessiva de proteínas pela urina, faz-se a biópsia renal. Há outros exames para casos ainda mais específicos e todos podem ser realizados no Hospital Santa Lúcia”, finaliza o coordenador.

15/03/2015
   |   Fonte: Ascom - Grupo Santa

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