Doenças respiratórias podem ser agravadas por sujeira em ar-condicionado e umidificador

Com a umidade do ar chegando a menos de 30% na capital federal, as emergências hospitalares e consultórios médicos ficam lotados de pacientes com problemas respiratórios. “Rinite, asma, faringite, sinusite e outras infecções virais e bacterianas costumam apresentar aumento de casos entre maio e setembro, quando enfrentamos um tempo mais seco e com baixas temperaturas à noite”, confirma a pneumologista Clarice Freitas, do Hospital Santa Lúcia. Mas a secura não é a única vilã dos problemas respiratórios nesta época do ano. “Ar-condicionado e umidificador são exemplos de aparelhos que as pessoas utilizam para amenizar o calor e a baixa umidade, mas que podem piorar a qualidade do ar e causar ou agravar doenças se estiverem sujos ou sem manutenção”, alerta. Por isso, é fundamental que o ar condicionado, quando utilizado, esteja com filtro limpo e manutenção em dia. “Quanto aos umidificadores, é preciso limpá-los e trocar a água diariamente, preferindo sempre água filtrada e não da torneira”, aconselha a pneumologista.

 

A baixa umidade, somada à poluição, contribui largamente para a dispersão de agentes alergênicos no ar. Quando a presença deles aumenta, também aumentam as ocorrências de alergias e doenças respiratórias. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada três pessoas no mundo possui algum tipo de intolerância a poeira doméstica, pó, mofo e pólen de plantas, entre outras inúmeras causas. Ainda segundo a OMS, até o fim deste século, metade da população humana sofrerá com esse problema. No Brasil, as alergias afetam 35% da população. A asma, doença alérgica que causa o estreitamento dos bronquíolos e dificulta a respiração, afeta mais de 22 milhões de brasileiros e causa 2,5 mil mortes por ano no país. As rinites alérgicas, por sua vez, afetam cerca de 10% das crianças e de 20% a 30% dos adolescentes.

 

Tosse, espirros frequentes, coriza, febre, mal estar, dor de cabeça e dificuldade para respirar são alguns sintomas comuns que aparecem quando cai a qualidade do ar e surgem os problemas respiratórios. “A presença de poeira e outros agentes contaminantes, infecções virais e bacterianas, comuns no inverno, podem causar desde uma leve crise de rinite alérgica ou uma faringite, até crises agudas de asma”, alerta a Dra Clarice. Os sinais de alerta são a presença de secreção amarelada ou esverdeada com a tosse, febre por mais de três dias ou a não resposta das crises à medicação de rotina prescrita pelo médico, no caso de pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma e rinite. “Nessas situações, é aconselhável procurar um serviço de saúde o quanto antes e evitar a automedicação”, orienta.

 

Segundo a pneumologista, o ar condicionado deve ser utilizado com cautela por pessoas que têm alergias respiratórias, pois deixa o ar ainda mais seco. Quando sem manutenção ou com filtro sujo, ele pode se tornar um reservatório de agentes contaminantes diversos, que são lançados e se espalham pelo ambiente quando o aparelho é acionado. “Se for um sistema de ar central sem manutenção, o problema pode ser ainda pior”, alerta. Como nem sempre é possível ficar longe de ambientes com ar condicionado, ela aconselha que, ao menos durante as crises alérgicas ou resfriados, as pessoas evitem esses locais, para não agravar ainda mais o problema.

 

Em casa, o umidificador pode ser um grande aliado para aliviar a secura durante o dia e a noite, mas também pode ser um perigo se estiver sujo. “Deixar água acumulada durante vários dias e não realizar a limpeza adequada são descuidos que fazem com que a qualidade do ar piore com o umidificador, ao invés de melhorar”, explica a pneumologista. Além de substituir diariamente a água do reservatório, é preciso abrir e limpar o tanque e o filtro do aparelho periodicamente, para evitar a contaminação do ar. “Estender uma toalha limpa e úmida na cabeceira da cama à noite é uma opção alternativa ao umidificador, além das dicas que todos já conhecem, como beber muito líquido e evitar exercícios físicos nas horas mais quentes do dia”, finaliza.

31/08/2014
   |   Fonte: Ascom - Grupo Santa

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