Dores de cabeça não são todas iguais e podem indicar problemas graves

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia – SBCe, 95% da população apresentará ao menos uma dor de cabeça ao longo de sua vida. A maioria dos casos são cefaleias primárias, quando a dor é a própria doença, como as enxaquecas e as dores tensionais. “Mas há também as cefaleias secundárias, em que a dor é sintoma de doença neurológica ou sistêmica e pode necessitar de tratamento hospitalar ou cirúrgico”, alerta o neurocirurgião Tiago Freitas, do Hospital Santa Lúcia. Segundo ele, as causas mais frequentes são aneurismas, tumores cerebrais, hidrocefalia, meningites e doenças oculares, nas vias aéreas ou em tecidos extracranianos. Nos casos mais graves, o diagnóstico pode ser feito por ressonância magnética, tomografia e angiotomografia de crânio, conforme avaliação médica. “Mudança no padrão da dor; dor súbita, muito forte e associada a vômito; cefaleias que pioram com esforço físico ou se o paciente abaixa a cabeça; e dor com alteração do estado de consciência, do equilíbrio, da visão ou do comportamento são sinais que devem despertar preocupação”, enumera.

 

 

Os dados da SBCe revelam que, no país, cerca de 70% das mulheres e 50% dos homens apresentam pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês; a enxaqueca ocorre em até 20% das mulheres; e um total de 13 milhões de brasileiros apresenta dor de cabeça pelo menos 15 dias por mês, o que caracteriza a cefaleia crônica diária. A maior parte dos casos de cefaleia primária está relacionada à tensão emocional e às enxaquecas e o tratamento é voltado a minimizar ou eliminar a dor.

 

 

As cefaleias secundárias, por sua vez, aparecem como sintomas de outras doenças, que podem ser de menor gravidade – como problemas oculares e sinusite, por exemplo – ou indicar a existência de enfermidades de maior gravidade na região da cabeça. “O tratamento das cefaleias secundárias é voltado para a doença principal, e não para a dor em si, já que ela é apenas um sintoma. Tumores, aneurismas e hidrocefalias são exemplos que podem envolver intervenção cirúrgica”, explica o neurocirurgião.

As cefaleias secundárias causadas por problemas oculares normalmente caracterizam-se por uma dor em cima dos olhos e na fronte, que aparece somente após esforços visuais, cujas principais causas são as ametropias (hipermetropia e astigmatismo). Nesses casos, o tratamento da dor envolve exames oftalmológicos e a correção do problema visual com óculos ou lentes de contato.

 

 

A dor de cabeça como sintoma de sinusite aguda geralmente atinge a região onde há inflamação. Se a sinusite for do seio maxilar, a dor de cabeça vai aparecer na maçã do rosto, abaixo dos olhos, de um lado ou de outro, ou dos dois lados. Junto com ela costumam aparecer sintomas nasais, como entupimento, secreção e coriza clara ou amarelada. O diagnóstico, nesses casos, pode ser feito por exame clínico e, se necessário, raios X da face. O tratamento depende de avaliação médica e pode envolver o uso de antibióticos.

 

 

Os casos mais graves de cefaleia secundária decorrente de aneurismas, tumores, meningites e hidrocefalia, entre outras doenças, são minoria. “A incidência de aneurisma cerebral na população em geral gira em torno de seis a oito casos para cada 100 mil habitantes”, afirma o neurocirurgião Tiago Freitas. Tumores cerebrais, segundo a literatura médica, atingem entre quatro e cinco pessoas em cada 100 mil habitantes.

 

 

Cefaleias primárias – a cefaleia do tipo tensional apresenta-se como uma dor leve ou moderada, geralmente com sensação de pressão ou aperto em toda a cabeça, com duração de uma hora a vários dias. É desencadeada principalmente por cansaço e estresse emocional. “Essa é a dor de cabeça mais frequente na população e geralmente resolvida com o uso de analgésicos ou repouso”, explica o neurocirurgião Tiago Freitas. Ele alerta, entretanto, para o perigo da automedicação. “O uso inadequado ou abuso de analgésicos pode agravar o caso e levar à cefaleia crônica”, afirma.

 

 

Mais comum nas mulheres, a enxaqueca é uma cefaleia moderada ou forte, latejante ou pulsátil, frequentemente acompanhada de tonturas, náuseas e aversão à luz, barulho ou cheiros. Algumas pessoas apresentam, antes ou no decorrer da crise, sintomas visuais, como luzes brilhantes ou embaçamento e perda visual, ou também formigamentos no corpo, o que caracteriza a chamada aura de enxaqueca. Essas crises podem durar de algumas horas a vários dias e seu tratamento depende de acompanhamento médico, podendo envolver o uso de diferentes tipos de medicamentos, além de ações preventivas.

 

 

Ainda de acordo com a SBCe, o diagnóstico correto da dor de cabeça depende principalmente das informações fornecidas pelo paciente a respeito das características de sua dor. A entidade relaciona alguns fatores que podem ser importantes na avaliação médica:

 

 

Tempo de início da dor – há quanto tempo você apresenta dor de cabeça? Se você sofre de cefaleia há muitos anos, tente recordar desde que idade aproximadamente passou a apresentar esse sintoma, mesmo que sua frequência fosse diferente da atual. Se o fato é recente, procure estabelecer o mais precisamente possível há quantos dias ou meses se iniciou.

 

 

Mudanças nas características da dor – é importante que você informe ao médico se a dor de cabeça que sente atualmente é semelhante à que sempre lhe acometeu ou se é de um novo tipo. Pode ocorrer, também, que a dor seja semelhante à de sempre, mas que se tenha tornado mais frequente. Procure recordar há quanto tempo a dor passou a apresentar as características atuais.

 

 

Frequência das crises – essa informação é importante para diferenciar o tipo de cefaleia, podendo ser diária, quase diária ou esporádica. Procure estabelecer aproximadamente quantas vezes por mês, por semana ou por dia a dor se manifesta. Observe, também, se suas dores seguem um padrão de agrupamento, ou seja, se há períodos em que ocorrem várias crises por dia, durante semanas ou meses, seguidas por intervalos de meses ou anos sem dor.

 

 

Duração das crises – o tempo de duração de cada episódio de dor varia de acordo com o tipo de cefaleia, podendo ser desde uma hora até dor contínua (o indivíduo desperta, passa o dia e vai dormir com a dor) por dias, semanas, meses ou anos.

 

 

Intensidade da dor – este é outro aspecto muito útil para o diagnóstico, apesar de a percepção e a tolerância à dor ser algo muito subjetivo. A intensidade da dor pode ser classificada de uma forma simples em: a) fraca – dor que não interfere nas atividades da vida cotidiana; b) moderada – dor que não impede, mas interfere nas atividades; c) forte – dor que impede as atividades diárias.

 

 

Localização habitual da dor – para algumas formas de cefaleia, a localização da dor pode ser uma informação importante. Observe e informe ao seu médico se as dores costumam acometer toda a cabeça ou se, pelo menos em algumas crises, ocorrem em apenas um dos lados. Se for unilateral, observe se há alternância de lado entre as crises ou se elas ocorrem exclusivamente à direita ou à esquerda.

 

 

Tipo de dor – as dores de cabeça podem ser pulsáteis ou latejantes (percepção do pulso arterial ou sensação de que “o coração está batendo na cabeça”), constantes, em peso ou aperto (sensação de uma faixa apertada, turbante ou capacete), em pontadas, em choque, em queimação e de muitas outras formas de acordo com a percepção do paciente. Esse dado pode ajudar a esclarecer o tipo de cefaleia.

 

 

Fatores desencadeantes – algumas formas de cefaleia podem ser desencadeadas quando o paciente é submetido a certos fatores deflagradores. Os mais frequentemente relatados são alterações emocionais; atraso na ingestão de alimentos (suprimir refeições, jejum prolongado); mudanças de horário de sono (dormir demais ou de menos); alimentos e produtos da dieta (chocolate, queijos, frutas cítricas, frutas oleaginosas, vinho tinto, cerveja, embutidos, aspartame, glutamato monossódico, cafeína); e posições viciosas do pescoço. Em alguns pacientes a dor pode ser desencadeada por estímulos em determinados pontos da cabeça (pontos de gatilho). Se você perceber correlação entre sua dor e algum desses ou outros deflagradores, anote e informe. Isso poderá ser útil no diagnóstico e também no tratamento.

 

 

Fenômenos acompanhantes – diferentes modalidades de cefaleia acompanham-se de outros fenômenos além da dor. Observe se apresenta algum deles: intolerância à luz (fotofobia), aos sons (fonofobia) ou aos odores (osmofobia); náusea; vômitos; rebaixamento de uma das pálpebras (ptose); lacrimejamento ou vermelhidão de um dos olhos; congestão nasal ou coriza.

 

 

Fatores de agravamento ou de alívio – procure verificar se sua dor se acentua quando você executa atividades como, por exemplo, caminhar, subir escadas ou quando abaixa a cabeça. Observe também o que lhe proporciona algum alívio (excetuando-se as medicações), como dormir, repouso, aplicar gelo na cabeça etc.

 

 

Outras informações – seu médico poderá necessitar saber quais os medicamentos que você vem utilizando e outros que já experimentou para o tratamento das crises e para a prevenção de sua dor de cabeça, bem como o resultado obtido com eles. Relacione-os de forma sucinta. Informe, também, se possui outros problemas de saúde que podem influir na escolha da medicação mais adequada para você, como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia, doenças cardíacas, asma, úlcera péptica ou gastrite, depressão, epilepsia, glaucoma, constipação, doenças da tireoide e cálculos renais.

29/06/2014
   |   Fonte: Ascom - Grupo Santa

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