Estatísticas confirmam que fumantes têm maior chance de ter câncer de pulmão, infarto, bronquite, enfisema e AVC

O cigarro contém mais de 4,5 mil substâncias tóxicas e causa uma série de doenças. Estatísticas do Ministério da Saúde revelam que os fumantes, quando comparados a pessoas que nunca fumaram, apresentam um risco dez vezes maior de desenvolver câncer de pulmão, cinco vezes maior de sofrer infarto, bronquite crônica e enfisema pulmonar e duas vezes maior de sofrer acidente vascular cerebral (AVC). “Quem convive com fumantes e respira a fumaça do cigarro também fica suscetível a essas doenças”, explica o cirurgião torácico do Hospital Santa Lúcia, Manoel Ximenes Netto. No Brasil, as patologias relacionadas ao tabagismo causam cerca de 200 mil mortes precoces por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para o cirurgião, como os sintomas de doenças pulmonares demoram muitos anos para aparecer, fumantes jovens não costumam se sensibilizar com campanhas e medidas antitabagismo. “Mas, se todos parassem de fumar hoje, dezenas de milhares de vidas seriam salvas”, diz.

 

 

 

 

As medidas antitabagistas implementadas nos últimos anos têm contribuído para diminuir o número de fumantes no país, mas os efeitos do cigarro na saúde dos brasileiros ainda são significativos. Dados do INCA revelam que, de cada cem pacientes com câncer, 30 são fumantes. Quando se fala especificamente em câncer de pulmão, esse índice sobe para 90%. “Em geral, o pulmão é o órgão mais afetado pelo cigarro. Mas outras partes do corpo que têm contato direto com as toxinas — como boca, laringe, esôfago e bexiga — também ficam mais vulneráveis ao câncer”, explica Manoel Ximenes Netto. “Na verdade, ao entrar na circulação sanguínea, as toxinas podem afetar todo o organismo”, completa.

 

 

 

 

Outra doença grave causada pelo tabagismo é o enfisema pulmonar, que destrói os alvéolos do pulmão e diminui progressivamente a capacidade respiratória da pessoa. Sintomas como respiração ofegante com chiado, tosse e sensação de sufocamento são característicos do enfisema, mas o pior deles é a falta de ar, que progride junto com a doença. O enfisema é diagnosticado pelo exame clínico e complementado por testes da função pulmonar, que incluem espirometria, medição do gás no sangue arterial, oximetria de pulso e raios X. O tratamento pode recorrer a medicamentos broncodilatadores, anti-inflamatórios corticosteroides, terapia com oxigênio e cirurgia.

 

 

 

O cigarro não é prejudicial apenas para quem o consome. O tabagismo passivo – quando a pessoa não fuma, mas respira a fumaça do cigarro com frequência – é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, atrás apenas do tabagismo ativo e do consumo excessivo de álcool. Fumantes passivos também sofrem os efeitos imediatos da fumaça do cigarro, como irritação nos olhos, espirros, tosse, cefaleia e aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias. Quando convivem com fumantes e ficam expostos ao cigarro ao longo da vida, eles têm um risco 23% maior de desenvolver doença cardiovascular e 30% mais chances de ter câncer de pulmão. Além disso, têm mais propensão à asma, redução da capacidade respiratória, infarto do miocárdio e arteriosclerose.

 

 

 

Parar de fumar permite ao organismo recuperar-se dos danos causados pelo cigarro. Em caso de doenças já instaladas, largar o vício do cigarro pode evitar sua progressão, além de melhorar a qualidade de vida do paciente. Para Ximenes, o mais importante é a vontade do fumante de abandonar o cigarro. “Essa decisão é individual, mas, uma vez tomada, há uma série de recursos disponíveis para ajudar no processo”, afirma. O tratamento contra o vício pode envolver medicamentos específicos – para ansiedade, por exemplo – e terapias de reposição de nicotina, além de acompanhamento psicológico.

 

 

 

Dados divulgados pela Aliança de Controle do Tabagismo no Brasil (ACT-Br) mostram que, após dois dias sem fumar, a pessoa já percebe mudanças no olfato e no paladar. Em três semanas, a respiração fica mais fácil e a circulação sanguínea melhora. Após 10 anos sem cigarro, o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou, e o de desenvolver câncer de pulmão cai pela metade. Passados 20 anos, a chance de ter câncer de pulmão será equiparada à de quem nunca fumou.

01/06/2014
   |   Fonte: Ascom - Grupo Santa

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