Fumantes têm 10 vezes mais chances de desenvolver câncer

29 DE AGOSTO | DIA NACIONAL DE COMBATE AO FUMO

 

Pessoas que fumam têm 10 vezes mais chances de desenvolver um câncer quando comparadas às não fumantes. O tabagismo é fator de risco comprovado para diversos tipos de tumor, principalmente os de pulmão, cabeça e pescoço, esôfago e bexiga. Entre esses, o câncer de pulmão é o que mais mata e, em 80% dos casos, está relacionado ao tabagismo.

 

O tabaco foi responsável pela morte de 6 milhões de pessoas em 2013, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em 2030, o número de óbitos pode chegar a 8 milhões. No Brasil, 428 pessoas morrem por dia em consequência do tabagismo — por doença pulmonar crônica, diversos tipos de câncer e doenças coronarianas e cerebrovasculares.

 

Fumar causa dependência física, psicológica e comportamental semelhante ao que ocorre com o uso de outras drogas legais, como o álcool, ou ilegais, como a cocaína e heroína. A dependência ocorre pela presença da nicotina nos produtos à base de tabaco e o vício em cigarros faz com que fumantes inalem mais de 4.720 substâncias tóxicas.

 

“Ao ser inalada, a nicotina presente no cigarro age diretamente no cérebro, alterando o estado emocional do indivíduo e trazendo sensação de prazer. Com o passar do tempo, a pessoa vai adquirindo tolerância à droga, ou seja, torna-se necessário ingerir quantidades maiores da substância para atingir mesmo nível de satisfação”, explica o oncologista do Hospital Santa Lúcia, Eduardo Vissotto.

 

Todas essas questões fazem com que o tabagismo seja a principal causa evitável de adoecimento e morte: o vício é responsável por 30% das mortes por diversos tipos de câncer. “As substâncias que compõem o cigarro atuam diretamente no DNA das células, causando novas mutações que facilitam a carcinogênese, ou seja, a transformação de células saudáveis em células cancerosas”, detalha o especialista.

 

PARAR DE FUMAR — Os maiores benefícios para quem deixa de fumar acontecem em longo prazo e são proporcionais ao tempo de abstinência. Em casos de câncer de pulmão, a redução é mais evidente após cinco anos da cessação do hábito. Após 15 anos sem fumar, estudos mostram redução de até 90% do risco, porém ainda maior do que aqueles que nunca cultivaram o hábito”, releva Eduardo Vissotto.

 

Ainda que não consiga parar de fumar, o indivíduo que reduz a quantidade de cigarros consumidos por dia já acumula alguns benefícios. Depois de dois anos e meio, a redução para menos da metade do número de cigarros diários reduz o risco de câncer de pulmão em torno de 30%. “Dos que continuam a fumar após o tratamento do câncer, a probabilidade de recorrência do tumor é quatro vezes maior”, alerta o médico oncologista.

 

COMBINAÇÃO PERIGOSA — O tabagismo vem, geralmente, associado a outros maus hábitos, como o etilismo, ou seja, o consumo de álcool. Quando combinados, esses fatores potencializam enormemente o surgimento de cânceres.

 

“Tabagismo e etilismo são fatores de risco sinérgicos em tumores de cabeça e pescoço e esôfago. Um indivíduo tabagista tem sete vezes mais chance de desenvolver um câncer de boca ou garganta, por exemplo. Se é etilista, as chances do câncer são seis vezes maiores. A combinação de tabaco e álcool potencializa o risco em 38 vezes mais as chances de desenvolver câncer nas vias aerodigestivas altas”, finaliza Vissotto.

 

31/08/2017

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