Hospital Santa Lúcia realiza primeiro transplante de ossos no DF
Equipe médica de Brasília e HSL obtêm credenciamento do Ministério da Saúde para realizar cirurgia inédita na capital. Iniciativa abre as portas para atender diversos pacientes que aguardam anos a fio pela chance de serem operados em outros estados
 
 
 
O Distrito Federal tem se tornado um importante polo de transplantes no Brasil. Os números cada vez mais expressivos, e a variedade de órgãos transplantados colocam a unidade federativa em quarto lugar entre as que mais realizam este tipo de cirurgia, segundo balanço recente divulgado pelo Ministério da Saúde. No primeiro semestre de 2012, o número de transplantes em todo país cresceu 12,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho, o número foi de 12.287 contra 10.905 em 2011. No DF, a alta representa 76%.
 
 
 
Incrementando ainda mais esse quadro, médicos do Hospital Santa Lúcia realizaram este mês o primeiro transplante de ossos no DF. O procedimento é utilizado para repor perdas e segmentos de ossos, no caso da retirada de tumores ou próteses. O método, que também é empregado em perdas ocasionadas por acidentes e traumas diversos, é realizado geralmente em pacientes de idade, que precisam tratar-se em função de quedas, e que não tiveram sucesso em quaisquer das variadas terapias empregadas para a colagem de fraturas. “Após o esgotamento dos métodos disponíveis, é indicado o transplante de ossos, sempre provenientes de doadores mortos”, explica o coordenador, Dr. Marcelo Ferrer. Segundo ele, esses ossos são armazenados em um dos três únicos bancos do tipo no Brasil, localizados em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. 
 
 
 
É a primeira vez que uma equipe médica e um hospital no DF conseguem cumprir todas as normas e completar o credenciamento exigido pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado de Saúde do DF para realizar tal procedimento. “No Brasil, a legislação que regula esse tipo de transplante é bastante rígida. Por isso, essa liberação é um grande passo para a cidade, que possui diversos pacientes à espera de uma oportunidade de realizar a cirurgia, mas que precisavam se deslocar de Brasília para outros estados”, explica Ferrer. De acordo com o especialista, a técnica também abre perspectivas para o tratamento de perdas de tendões e de ligamentos. “É um avanço para a Ortopedia de Brasília, que é reconhecida em todo o país. Estamos muito felizes de poder abrir esse caminho na capital federal”, alegra-se.
 
 
 
O feito ocorreu em 30 de novembro de 2012, no Hospital Santa Lúcia, e foi realizado pelos ortopedistas Marcelo Ferrer, Luciano Ferrer e Maxwell Gonçalves. O procedimento durou três horas e foi realizado na paciente Cáritas Ribeiro, 80 anos, que recebeu a parte distal do fêmur para recuperar fratura proveniente de um tombo sofrido em 2011. Após diversas tentativas frustradas, e em função de avançado quadro de osteoporose, a saída foi realizar o transplante. “Ela está reagindo super bem, e não apresentou qualquer rejeição na área transplantada”, comemoram os médicos.
 
 
 
Após apenas 13 dias de internação, dona Cáritas recebeu alta hospitalar e já não vê a hora de retomar seus passeios na igreja e no cinema. “Quero logo retomar minha vida, e fazer tudo que gosto”, impacienta-se. O médico, no entanto, explica que a cirurgia foi muito bem sucedida, porém, a recuperação em casa precisa de dois meses de repouso e fisioterapia para consolidar a integração completa do novo osso. “Estou muito animada para voltar à ativa, mas sei que tenho de esperar”, conforma-se a bem-humorada senhora.
 
 
 
Saiba mais
 
Captação O procedimento de doação é iniciado após a constatação da morte encefálica, que deve ser notificada à Central de Transplantes. São realizados exames para afastar presença de doenças do doador. Depois dos exames realizados é feita a captação dos tecidos que serão enviados para os Bancos de Tecidos Músculo-Esquelético e outros.
 
 
 
Avaliação Depois da criteriosa avaliação, os ossos recebem um tratamento especial antes de serem transplantados. Eles são processados com a remoção de todos os tecidos não ósseos ( cartilagem, tendões, músculos e periósteo). Em seguida, os ossos são congelados a 80 graus negativos. Outros exames são realizados para detectar a existência de bactérias ou fungos.
 
 
 
Transplante Com riscos de rejeição e infecção quase nulos, a maioria dos procedimentos é feita com ossos inteiros ou pequenos pedaços, que são utilizados como enxertos. Eles podem ser utilizados na forma original ou em pequenos fragmentos, nas áreas de ortopedia, odontologia, neurocirurgia, oncologia, entre outras áreas. Como o recongelamento do material não é recomendado, pois sua estrutura enfraquece a cada processo, o material não utilizado é descartado. 
15/12/2012
   |   Fonte: Capitare - Assessoria de Imprensa

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