Morte súbita cardíaca atinge cerca de 300 mil pessoas por ano no Brasil

Cerca de dois terços dos casos de morte súbita — quando o paciente vai a óbito em menos de uma hora após sentir os primeiros sintomas de mal-estar – acontecem em indivíduos diagnosticados com problemas do coração. Somente no Brasil, aproximadamente 300 mil pessoas morrem a cada ano de modo inesperado por complicações cardiovasculares.

“De modo frequente, a morte súbita ocorre em indivíduos sem condições prévias indicativas de evolução para o óbito. Pelo desenrolar tão rápido, em boa parte dos casos a sua causa não pode ser estabelecida clinicamente e o exame necropsial é necessário para identificar sua origem”, explica o cardiologista do Hospital Santa Lúcia, Lázaro Miranda.

Entre os principais sintomas estão dores contínuas (por mais de 10 ou 20 minutos) no peito, falta de ar, tonturas fortes, palpitações duradouras e desmaios. Já entre as causas estão hábitos prejudiciais à saúde com o tabagismo, consumo de álcool ou drogas ilícitas, termogênicos e anabolizantes.

O sedentarismo e uma alimentação inadequada, ambos causadores de obesidade e diabetes, também são importantes fatores de risco para a morte súbita, assim como a hipertensão arterial e a elevação de mau colesterol (LDL).

COMPORTAMENTO SAUDÁVEL E PREVENÇÃO – Por isso, alimentar-se de modo saudável, praticar atividades físicas regularmente, além de consultar periodicamente um cardiologista para exames clínicos, laboratoriais e eletrocardiograma são atitudes fundamentais.

O indivíduo deve estar sempre atento a qualquer alteração em seu organismo, principalmente durante esforços físicos. Seus hábitos de vida devem ser observados e, caso sejam prejudiciais, modificados. Conhecer o histórico de saúde dos familiares de 1º grau também é importante. Tudo isso determina a frequência com que o especialista deverá ser consultado.

“Em pacientes sem sintomas ou fatores de risco como os citados, a consulta ao cardiologista deve começar aos 35 anos para os homens e aos 45 para as mulheres. Situações especiais de programação para a realização de atividade física mais intensa ou a presença de doenças relacionadas exigem a antecipação da avaliação cardiológica”, orienta Lázaro Miranda.

Na maioria dos casos, o médico realiza a história clínica e um exame físico completo e detalhado do sistema cardiovascular, bem como um eletrocardiograma e a rotina laboratorial mínima. Entretanto, se houver fatores de risco importantes, a investigação deverá ser complementada com teste de esforço, ecocardiograma e, eventualmente,holter de 24 horas (utilizado para detectar arritmias).

PERFIL DE CASOS – Cerca de 13% a 18,5% de todas as mortes são súbitas. Apesar de ocorrerem de forma mais prevalente em indivíduos acima de 65 anos, elas também podem atingir bebês — especialmente entre 4 e 6 meses de idade, em geral por asfixia — e jovens atletas, muitas vezes aparentemente saudáveis.

Segundo o médico Lázaro Miranda, a morte súbita relacionada ao esporte ou em atletas é um evento raro — um caso a cada grupo de 300 mil atletas/ano — e tem como causa principal uma arritmia cardíaca maligna, provocada por alguma doença do coração existente, mas não diagnosticada até o momento da parada cardiorrespiratória.

Ademais, 5% e 10% dos óbitos repentinos ocorrem devido a doenças cardíacas congênitas, do tipo canalopatias, a exemplo da Síndrome do QT Longo, Síndrome de Brugada (QT Curto), taquicardia ventricular polimórfica etc.

OUTRAS CAUSAS – A morte súbita também pode ter origem não cardíaca e ser causada por doenças como acidente vascular cerebral (AVC), epilepsia, tromboembolia pulmonar, asfixia e aneurisma de aorta, dentre outras.

No caso das mortes por doença cardiocerebrovascular, mais de 50% dos pacientes vão a óbito antes de chegar a um hospital para receber atendimento.

ATENDIMENTO – O protocolo de atendimento para ressuscitação de morte súbita varia de acordo com o local de ocorrência do evento — em via pública, em casa, numa ambulância ou no hospital — e será eficiente se realizado em até 4 a 6 minutos.

Basicamente, o ressuscitador — leigo ou profissional de saúde — tem que ser ágil em chamar por socorro, além de tomar as primeiras medidas: deitar a vítima em superfície dura (piso, se for o caso), abrir as vestes e iniciar imediatamente a massagem cardíaca, pressionando o peito com técnica apropriada numa frequência de 110 vezes por minuto.

“O ideal é que esse trabalho seja feito em revezamento com um auxiliar a cada 2 minutos, aproveitando para inspecionar a desobstrução das vias aéreas e a efetividade das massagens enquanto o socorro chega, preferencialmente trazendo um desfibrilador externo automático para possibilitar o choque terapêutico”, explica Lázaro Miranda.

11/04/2016

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