Mutações genéticas aumentam predisposição aos cânceres de mama e ovário

A decisão de retirar os ovários, tomada pela atriz Angelina Jolie, trouxe de volta a discussão sobre a importância de diagnosticar precocemente e prevenir possíveis cânceres. Motivada por razões genéticas — assim como foi a cirurgia para retirada das mamas a que a atriz também se submeteu —, a extração dos ovários não é recomendada para a maioria das mulheres, nem elimina a necessidade de cuidados com o corpo, que incluem uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos.

 

 

Jolie herdou de sua mãe, que faleceu aos 49 anos em decorrência de um câncer de mama, uma alteração no gene BRCA1. Os genes BRCA1 e BRCA2 são chamados supressores tumorais, ou seja, produzem proteínas que determinam a morte de uma célula tumoral. Quando sofrem algum tipo de mutação, eles perdem a capacidade de controlar a multiplicação das células tumorais no organismo, o que leva ao surgimento do câncer.

 

 

“As causas principais da mutação dos genes BRCA 1 e 2 são hereditárias e determinadas geneticamente. Há alterações nas células e estas mutações são passadas para as próximas gerações”, explica a oncologista do Hospital Santa Lúcia, Patrícia Schorn. Assim, o exame molecular (teste genético) é um recurso para beneficiar a mulher, ajudando-a a adotar condutas que modifiquem ou reduzam o seu risco de câncer.

 

 

A propensão ao câncer de mama aumenta de 50 a 85% e ao câncer de ovário, de 15 a 45% em mulheres com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. “O teste genético para detecção de mutações é recomendado para mulheres com câncer de mama antes dos 35 anos, ou ainda cânceres de mama e ovário antes dos 50 anos; para mulheres com histórico familiar de câncer de ovário ou de mama, neste último caso inclusive em homens; e para as que possuem parentes de primeiro grau com a mutação de BRCA 1 e/ou 2″, detalha Patrícia Schorn.

 

 

E SE A MUTAÇÃO FOR DETECTADA? – Segundo a médica, quando uma mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 é detectada, há basicamente três caminhos possíveis. As cirurgias redutoras de risco, como a mastectomia profilática bilateral (extração das mamas) e salpingo-ooforectomia bilateral (extração dos ovários), são possibilidades.

 

 

“A atenção em pacientes com a mutação deve ser ainda maior, com a realização periódica de exames clínicos e de imagem das mamas a partir dos 25 anos de idade, incluindo ressonância nuclear magnética das mamas anual. Não há exames efetivos para prevenção de câncer de ovário. Por isso, recomenda-se a ecografia transvaginal e o exame de sangue CA-125″, observa a oncologista. A prevenção a partir do uso de técnicas, como a quimioterapia com a droga tamoxifeno para as mamas e contraceptivos orais no caso dos ovários, também são alternativas possíveis.

 

 

CUIDADOS – A prevenção dos cânceres também depende sobremaneira do estilo de vida. A escolha de uma alimentação saudável, que inclua poucos produtos industrializados e baixas taxas de açúcar, sal e gorduras, é muito importante.

 

 

“O tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a não amamentação após o parto e o sedentarismo são enormes fatores de risco para o surgimento do câncer de mama e podem ser evitados a partir das escolhas feitas pela mulher para a sua vida. Apesar de os fatores de risco para o câncer de ovário ainda não serem bem definidos, a opção por alimentos ricos em nutrientes e a prática constante de atividades físicas é recomendada a qualquer pessoa”, finaliza a oncologista Patrícia Schorn.

11/04/2015
   |   Fonte: Ascom - Grupo Santa

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