Nódulos e alterações nos hormônios da tireoide podem afetar todo o organismo

A tireoide é uma glândula que fica no pescoço, logo abaixo da região conhecida como pomo de adão. Ela é responsável pela produção de hormônios que atuam em todo o organismo: na função do coração, do cérebro, do fígado e dos rins; na regulação do ciclo menstrual; na fertilidade e no peso; na memória, na concentração e no controle emocional, por exemplo. Quando ela não funciona adequadamente, pode ter sua atividade aumentada (hipertireoidismo) ou reduzida (hipotireoidismo), provocando efeitos negativos em cadeia. “Nos últimos anos, aumentaram os diagnósticos de hipotireoidismo causado por uma inflamação autoimune, a Tireoidite de Hashimoto, e também de nódulos de tireoide”, afirma o endocrinologista do Hospital Santa Lúcia, Gustavo Francklin Azevedo. A detecção dessas doenças pode ser feita por exame de sangue e ecografia. “A importância do bom funcionamento da tireoide é tão grande que sua avaliação por um endocrinologista deveria ser incluída no check-up anual de todas as pessoas”, avalia.

 

 

 

Além de se parecer com uma borboleta, a tireoide também lembra o formato de um escudo. Daí o surgimento de seu nome: uma aglutinação dos termos thyreós (escudo) e oidés (forma de). É a maior glândula do organismo humano: em um adulto, pode chegar a até 25 gramas. Os hormônios liberados por ela – T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) – estimulam o metabolismo, isto é, o conjunto de reações necessárias para assegurar todos os processos bioquímicos do organismo. “Disfunções na tireoide podem acontecer em qualquer faixa etária, mas a maioria dos diagnósticos ocorre entre os 20 e 50 anos de idade e principalmente entre mulheres, numa proporção de sete casos entre elas para cada diagnóstico em homem”, acrescenta Gustavo Francklin.

 

 

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), cerca de 10% das mulheres acima de 40 anos e de 20% das que têm mais de 60 anos manifestam algum problema na tireoide. A avaliação da função tireoidiana é feita por meio da medição das dosagens no sangue do T3, do T4 e do TSH — um hormônio da glândula hipófise que regula a produção dos outros dois pela tireoide —, e também com ecografia, que ajuda a avaliar a anatomia da glândula, identificando ainda a presença de eventuais nódulos.

 

 

O hipertireoidismo se caracteriza pela produção excessiva de T3 e T4. A hiperativação do metabolismo causa sintomas como nervosismo e irritação; insônia; aumento da frequência cardíaca (taquicardia); intolerância ao calor; sudorese abundante; perda de peso; tremores e olhos saltados. O tratamento pode incluir medicamentos, iodo radioativo e cirurgia, e depende das características de cada caso.

 

 

Já o hipotireoidismo indica que há produção insuficiente ou ausência de hormônios T3 e T4. Sua principal causa é a Tireoidite de Hashimoto, ou tireoidite linfocítica crônica, uma doença autoimune cuja principal característica é a inflamação da glândula, causada por um erro do sistema imunológico. O organismo fabrica anticorpos contra as células da tireoide, que provocam a sua destruição ou a redução da sua atividade. Com o metabolismo mais lento, a pessoa pode experimentar sintomas como cansaço; depressão; pele seca e fria; prisão de ventre; diminuição da frequência cardíaca; decréscimo da atividade cerebral, o que afeta a memória e a concentração; sonolência; reflexos mais vagarosos; intolerância ao frio; e alterações menstruais nas mulheres e na potência e libido dos homens. O tratamento é feito com a reposição do hormônio tireoidiano. Como dificilmente a doença regride, ele deve ser tomado por toda a vida. Algumas crianças podem nascer com hipotireoidismo e, para detectá-lo, é realizado o chamado Teste do Pezinho, que deve ser feito, preferencialmente, entre o terceiro e quinto dias de vida do bebê.

 

 

Tanto o hiper como o hipotireoidismo podem também ser causados por nódulos na tireoide. A SBEM estima que 60% da população brasileira tenha nódulos nessa glândula em algum momento da vida. “Mas isso não significa que sejam malignos ou que levarão obrigatoriamente a uma disfunção hormonal”, alerta o endocrinologista. Um nódulo de tireoide é uma massa de tecido da própria glândula que cresceu ou um cisto cheio de líquido que se forma nela. Segundo a SBEM, cerca de 90% deles são benignos. O câncer de tireoide é encontrado em cerca de 8% dos homens que têm nódulos e em 4% das mulheres com a mesma condição.

 

 

Uma vez que a ecografia identifique um ou mais nódulos na tireoide, o médico pedirá exames complementares, como ultrassonografia com Doppler, cintilografia e biópsia aspirativa por agulha. “Esses exames ajudam a avaliar se o nódulo é sólido ou preenchido com fluido, seu tamanho, se é vascularizado ou não, se tem bordas identificáveis, além de examinar sua malignidade por meio da coleta de amostras celulares do mesmo, no caso da biópsia”, detalha Gustavo Franklin. “A indicação cirúrgica vai depender dessa avaliação. Caso não haja malignidade, o médico apenas fará o acompanhamento do caso com ecografias anuais e receitará tratamento em caso de disfunção hormonal”, acrescenta.

15/06/2014
   |   Fonte: Ascom - Grupo Santa

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