Nutrição adequada é fundamental na recuperação de pacientes com câncer

Manter uma alimentação natural é essencial para qualquer indivíduo que deseje levar uma vida saudável. Mas, no caso de um paciente com câncer, suprir suas necessidades nutricionais de forma adequada pode fazer a diferença entre o fracasso e o sucesso do tratamento. Isto porque, além de aumentar o gasto calórico do organismo, o câncer também provoca alterações metabólicas importantes, como mudanças na absorção de carboidratos.

 

A resistência periférica à ação da insulina e a alteração na sensibilidade das células beta do pâncreas à liberação desta substância – responsável por ajudar as células do seu corpo a transformar a glicose em energia – estão entre as alterações metabólicas mais importantes causadas pelo câncer e que devem ser consideradas no preparo da rotina alimentar de um paciente oncológico.

 

Há ainda alterações no metabolismo dos ácidos graxos, produzidos quando as gorduras são quebradas, e das proteínas. Tudo isso leva o paciente à perda maciça de músculo esquelético que, se não tratada precocemente, pode evoluir para um estado de desnutrição e, mais tarde, para a caquexia, síndrome complexa causada por diversos fatores que se caracteriza pela perda de peso, com predominante perda de massa corpórea e tecido adiposo.

 

O câncer é uma das doenças que mais mata em todo o mundo – cerca de 12 milhões de pessoas são diagnosticadas todos os anos e, destas, cerca de 8 milhões morrem. O poder de uma alimentação correta pode auxiliar na diminuição do número de óbitos na medida em que impacta diretamente tanto para amenizar os efeitos do câncer no organismo quanto dos tratamentos para combatê-lo, a exemplo da quimioterapia e da radioterapia, que podem causar perda do paladar, anorexia, náuseas, vômitos, fadiga e distúrbios intestinais.

 

O oncologista do Hospital Santa Lúcia, Eduardo Vissotto, exemplifica. “Um paciente com câncer gástrico metastático, tumor que obstrui parcialmente o estômago, iniciou a quimioterapia para controlar a doença e está respondendo bem ao tratamento, mas apresenta perda progressiva de peso, secundária ao câncer e ao tratamento. Neste caso, ele pode receber uma dieta por sonda instalada diretamente no intestino para reverter um quadro de desnutrição”, conta.

 

Em todos os casos, o acompanhamento do paciente por uma equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos e psicólogos, entre outros, é fundamental. “Esse trabalho possibilita a visão integral do paciente e permite que ele seja tratado em suas diversas necessidades”, acrescenta Vissotto.

 

O QUE FAZER – Não existe receita alimentar mágica de sucesso para o tratamento. natural possível. Alguns tipos de câncer, como os de cabeça e pescoço ou do trato gastrointestinal, demandam um cuidado ainda maior com a alimentação, que pode chegar ao uso de suplementos e outras terapias, a depender da necessidade do paciente.

 

Mas há alimentos proibidos? A questão ainda é polêmica e precisa ser mais bem investigada pela comunidade científica. Contudo, estudos têm revelado que o elevado consumo de alguns alimentos, como gorduras e carne vermelha, além de bebidas alcoólicas, pode ter relação com o surgimento do câncer.

 

Por isso, a recomendação é que o paciente evite alimentos que tragam risco para o fígado, órgão responsável por metabolizar as drogas utilizadas no tratamento. Fazem parte dessa lista alimentos gordurosos, enlatados, com muitos conservantes ou corantes, bebidas alcoólicas e frituras – mesmo as feitas em óleo de canola ou azeite.

 

17/04/2017

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