NUTRIÇÃO ADEQUADA PODE REDUZIR RISCO DE DOENÇAS PULMONARES CRÔNICAS EM ATÉ 30%

A relação entre o tabagismo, a poluição e o desenvolvimento de doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC), como a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, é amplamente conhecida por todos. Por isso, até pouco tempo atrás, as principais orientações médicas para prevenir as DPOC estavam voltadas ao abandono do cigarro e à tentativa de diminuir a exposição aos poluentes ambientais.

 

Contudo, nos últimos anos a pesquisa científica tem buscado entender melhor a relação entre a nutrição e as doenças pulmonares crônicas. Segundo o nutrólogo do Hospital Santa Lúcia, Allan Ferreira, os resultados obtidos em trabalhos como os da pesquisadora Raphaëlle Varraso, do Instituto Nacional de Pesquisas Médicas e de Saúde, na França, têm sido surpreendentes.

 

“Os estudos têm evidenciado que uma alimentação saudável poderia não somente ajudar a prevenir o aparecimento das doenças pulmonares crônicas, mas que a má alimentação estaria diretamente relacionada ao surgimento da doença”, explica o médico.

 

Os estudos mais recentes evidenciaram que uma alimentação rica em grãos integrais, frutas, vegetais, castanhas, óleos poli-insaturados (óleos vegetais) e alimentos ricos em ômega-3, como peixes, podem proteger as vias aéreas por conta de suas propriedades anti-inflamatórias, ajudando a impedir o desenvolvimento da DPOC.

 

Por outro lado, a ingestão excessiva de alimentos como carne vermelha — especialmente a processada, a exemplo do presunto —, farinhas e grãos refinados, alimentos ricos em açúcar e refrigerantes é fator de risco para essa classe de doenças exatamente pela razão oposta: suas propriedades inflamatórias podem prejudicar o organismo.

 

“Como as DPOC são uma doença predominantemente inflamatória, em que a inflamação faz o papel de destruir a estrutura pulmonar, acredita-se que uma boa alimentação possa ser um forte fator de proteção”, avalia Allan Ferreira.

 

A NUTRIÇÃO EM PACIENTES CRÔNICOS – Segundo o especialista, pacientes com doenças crônicas são frequentemente desnutridos em consequência das limitações que as próprias doenças impõem e da ingestão de uma dieta inadequada ou insuficiente. Este quadro de desnutrição, em especial para pacientes portadores de doenças cardíacas, pulmonares e renais crônicas, é causa importante de internações hospitalares, complicações e mortalidade.

 

“Quando uma pessoa está desnutrida, seus órgãos internos também estão. O coração perde capacidade de bombear sangue, os rins se tornam menos eficientes, os músculos respiratórios perdem força. O indivíduo perde mobilidade, muitas vezes ficando acamado, seu sistema imunológico se torna fraco e as complicações infecciosas são comuns”, alerta o especialista.

 

No Brasil, a mortalidade de pacientes desnutridos no ambiente hospitalar é 2,5 vezes maior do que a de pacientes nutridos. Por isso, todos os esforços na prevenção da desnutrição nos pacientes portadores de doenças crônicas devem ser tomados já no diagnóstico inicial da doença.

 

“Esta cultura preventiva precisa ser fortalecida para evitarmos que a preocupação com o estado nutricional do paciente se torne importante apenas quando a desnutrição se encontra em estágios avançados, dificultando seu tratamento”, reforça o médico.

 

DPOC – Tosse matutina com secreção, falta de ar e chiado no peito são alguns dos sintomas mais comuns das doenças obstrutivas pulmonares crônicas. Em geral, elas são mais frequentes em pacientes acima de 50 anos de idade, especialmente os tabagistas.

 

“Para diagnosticar uma DPOC, o médico especialista deve avaliar a história clínica do indivíduo e pode solicitar uma espirometria, exame no qual confirma a existência da doença”, explica o pneumologista do Hospital Santa Lúcia, Jefferson Fontinelli. De acordo com ele, o uso de medicações que dilatam os brônquios auxilia no alívio dos sintomas, mas evitar o tabagismo continua sendo a medida de maior impacto para prevenir as DPOC.

 

22/08/2017

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