Nutrição inadequada é a segunda maior causa prevenível de câncer

Uma dieta pobre em verduras, legumes e frutas e rica em gorduras de origem animal, produtos industrializados, açúcar e sal está relacionada à maior incidência geral de câncer. Segundo o médico nutrólogo do Hospital Santa Lúcia, Allan Ferreira, a má alimentação é responsável por até 20% dos casos de câncer nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

 

“No caso do câncer gástrico, por exemplo, o consumo de alimentos ricos em nitritos/nitratos, como carnes vermelhas e embutidos — linguiça, salame e salsicha —, está relacionado à gênese da doença. Dietas pobres em fibras têm relação direta com câncer de cólon e o consumo de alimentos com aflatoxinas — produzidas por fungos — tem relação com câncer de fígado”, explica o especialista.

 

Evidências científicas comprovam que os benefícios da ingestão de frutas, legumes e verduras na prevenção do câncer são maiores do que os malefícios do consumo desses alimentos com resíduos de agrotóxicos. Entretanto, optar por alimentos de base agroecológica ou orgânicos é sempre o ideal.

 

“Nos vegetais são encontrados vitaminas, minerais, fibras e fitoquímicos que previnem diversos tipos de câncer. Se não for possível adquiri-los em sua forma de produção orgânica, ainda assim não podemos abrir mão desses alimentos protetores, pois estudos indicam que a redução no seu consumo pode aumentar consideravelmente o número de casos de câncer”, detalha Allan Ferreira.

 

“Vale lembrar que resíduos de agrotóxicos podem também estar presentes nos alimentos ultraprocessados, como biscoitos, salgadinhos, pães, lasanhas e pizza, que contêm ingredientes como trigo, milho, cana-de-açúcar e soja, por exemplo”, alerta.

 

CARBOIDRATOS E AÇÚCARES – Alimentos ricos em açúcar e carboidratos, assim como a falta da prática de atividade física, aumentam a resistência à insulina, hormônio secretado pelo pâncreas com importante função no metabolismo dos carboidratos no sangue.

 

“Essa resistência favorece o acúmulo de gordura corporal, que provoca alterações hormonais e um estado inflamatório crônico. Tais condições estimulam a proliferação celular, inibem a morte programada das células e contribuem para a formação e a progressão de diversos tipos de câncer, como os de esôfago, estômago, pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino, rins, mama, ovário, endométrio, tireoide e, possivelmente, próstata”, ressalta o nutrólogo.

 

CARNES VERMELHAS X VEGETARIANISMO – Carnes vermelhas ou processadas são causas convincentes ou prováveis de alguns tipos de câncer, em especial os do trato gastrointestinal. Apesar disto, a carne vermelha é rica em nutrientes como proteínas, ferro, zinco e vitamina B12. Então, o que é melhor? Abrir mão desse alimento ou ingeri-lo?

 

“Estudos observacionais mostram que vegetarianos têm menor incidência de câncer, mas como estes indivíduos costumam ter hábitos de vida mais saudáveis (não bebem, não fumam e praticam atividade física), não se pode estabelecer ainda a relação direta entre um e outro. Por isso, a orientação é o consumo moderado de carne vermelha. O importante é encontrar o equilíbrio”, pondera o especialista.

 

SUPLEMENTAÇÃO VITAMÍNICA – Cada vez mais comum na dieta dos brasileiros, a ingestão de suplementos alimentares vitamínicos também pode favorecer o desenvolvimento de tumores malignos e, embora alguns estudos em grupos específicos tenham mostrado evidências de prevenção de câncer a partir da ingestão de alguns suplementos, esses achados podem não ser aplicáveis à população em geral.

 

“Os níveis de benefícios deles podem ser diferentes e pode haver efeitos adversos. Em geral, a ingestão inadequada de nutrientes se resolve melhor com uma alimentação balanceada e não por meios de suplementos, já que eles não aumentam o consumo de outros componentes alimentares potencialmente benéficos”, recomenda o médico.

 

29/08/2017

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