Os quatro vilões da saúde

Eles estão por trás de 72% de todas as mortes registradas anualmente no Brasil. O consumo excessivo de sal, o abuso do álcool, o tabagismo e o sedentarismo tornaram-se um problema de saúde pública tão grave que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu metas de redução desses quatro fatores para tentar evitar a morte de 37 milhões de pessoas no mundo até 2025. O objetivo é conseguir que o mundo reduza o tabagismo em 30%, o abuso de álcool em 10%, o consumo de sal em 30% e o número de sedentários em 10%. 

 

“Esses quatro fatores combinados são responsáveis pela maioria das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil, entre elas as degenerativas”, resume o cardiologista Lázaro Miranda. O rol de enfermidades causadas ou agravadas por esses quatro hábitos prejudiciais inclui as doenças cardiovasculares — principalmente infarto e acidente vascular cerebral —, vários tipos de câncer e distúrbios pulmonares, entre outras. A OMS almeja também estabilizar o número de diabéticos e diminuir em 25% o índice de pacientes com hipertensão arterial em todo o mundo no mesmo prazo.

 

Além de evitar mortes precoces, o combate aos quatro vilões da saúde também contribui para melhorar a qualidade de vida da população. “Imagine quantos afastamentos de trabalho, prejuízos econômicos e sequelas de menor ou maior gravidade são causados por essas doenças e pelos acidentes ou violências envolvendo o álcool. E todos eles têm como pano de fundo, basicamente, os maus hábitos das pessoas”, argumenta Lázaro Miranda. “Parar de fumar, fazer exercícios regulares, diminuir o sal na comida e as doses de bebida alcoólica são medidas muito simples, mas com um enorme impacto na saúde”, avalia. 

 

Segundo o cardiologista, a prática regular de atividade física — de três a quatro vezes por semana, totalizando no mínimo 150 minutos, e intercalando exercícios aeróbicos e isométricos — traz uma série de benefícios: reduz o colesterol e os triglicerídeos; ajuda a perder peso e controlar a pressão arterial; melhora a saúde dos ossos, músculos e articulações; contribui para melhorar quadros de estresse, depressão e ansiedade; diminui o risco de doenças cardiovasculares e de diabetes. A redução do sal na alimentação, por sua vez, colabora para o controle da pressão arterial e para a função renal. 

 

Quanto ao consumo de álcool, sua redução, além de preservar o funcionamento de órgãos vitais, ainda contribui para a diminuição de acidentes de trânsito e casos de violência. A redução do tabagismo tem impacto ainda maior: após dois dias sem fumar, a pessoa já percebe mudanças no olfato e no paladar. Em três semanas, a respiração fica mais fácil e a circulação sanguínea melhora. Após 10 anos sem fumar, o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou, e o de desenvolver câncer de pulmão cai pela metade. Após 20 anos, o risco de desenvolver câncer de pulmão será quase igual ao de quem nunca fumou. 

 

SEDENTARISMO

 

  • OMS: 70% da população mundial é sedentária. No Brasil, o índice é de 80%. 
  • Aliado à alimentação inadequada, o sedentarismo contribui para o sobrepeso e a obesidade, que atingem 68% dos brasileiros.
  • Aumenta o risco de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. 
  • Prejudica a saúde dos ossos, músculos e articulações.  
  • Diminui a capacidade cardiorrespiratória. 
  • Piora os efeitos do estresse e favorece a depressão e os transtornos de ansiedade.

 

TABAGISMO

  • Das 4,5 mil substâncias tóxicas, seu componente mais letal é o monóxido de carbono. 
  • São 200 mil mortes precoces por ano no Brasil. 
  • De cada 100 pacientes com câncer, 30 são fumantes. Entre pacientes com câncer no pulmão, 90% fumam. 
  • Risco cinco vezes maior de sofrer infarto, bronquite crônica e enfisema pulmonar e duas vezes maior de sofrer acidente vascular cerebral (AVC).

 

SAL

 

  • A média de consumo de sal no Brasil é de 12g por dia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 5g diárias. 
  • Provoca a retenção de líquidos e o inchaço das pernas e pés. 
  • Contribui para a hipertensão arterial. 
  • Sobrecarrega os rins, que não conseguem filtrar completamente o excesso de sódio.
 

ÁLCOOL

 

  • Os efeitos no organismo podem incluir sonolência, agressividade, irritabilidade, agitação, alteração de memória, vômitos, convulsões e até coma, a depender da quantidade ingerida. 
  • Danifica diversos órgãos e tecidos, como esôfago, fígado, pâncreas, coração, sistema musculoesquelético e cérebro. Distúrbios neurológicos,esteatose hepática e cirrose são alguns exemplos. 
  • Aumenta o risco de câncer e doenças cardiovasculares.

 

 

 

16/03/2015
   |   Fonte: revista Sua Saúde

Instalações

Conheça as instalações disponibilizadas pelo Hospital.

box