Osteoartrose do quadril limita movimentos e prejudica a qualidade de vida

Atos simples como amarrar os sapatos, agachar para pegar um objeto que caiu no chão, mexer as pernas ou lavar os pés são tão corriqueiros que não nos damos conta de sua importância para a qualidade de vida. Mas todos esses movimentos podem ser limitados ou impedidos pela osteoartrose do quadril — lesão da cartilagem articular que, ao provocar dor, leva à perda progressiva da flexibilidade e capacidade de movimentação.

A osteoartrose do quadril é, muitas vezes, precedida pela lesão do lábrum — desgaste da estrutura fibrocartilaginosa que amortece o impacto a que o quadril é submetido durante atividades físicas e desportivas. “A lesão labral se origina do que chamamos de síndrome do impacto do quadril, quando a cabeça do fêmur impacta na bacia (acetábulo), provocando a destruição progressiva do lábrum e, em seguida, da cartilagem, gerando a osteoartrose”, explica o ortopedista do Hospital Santa Lúcia, Patrick Godinho.

De acordo com o médico especialista, cerca de 5% da população sofrerá com algum problema no quadril ao longo da vida. “É uma incidência muito alta”, avalia. “Antigamente, quando chegava ao consultório um paciente com idade entre 50 e 55 anos já com osteoartrose grave e indicação de prótese de quadril, dizíamos que a causa era desconhecida. Hoje, sabemos que muitos casos se originam de uma lesão labral ou de uma lesão de impacto”, detalha o médico.

As lesões que causam impacto são, geralmente, provocadas pela diferença anatômica entre a cabeça do fêmur e a bacia do paciente, que acaba por desgastar o lábrum e a cartilagem. “Essas lesões podem ter origem genética, mas também ser provocadas por exercícios físicos, sequelas de fraturas ou impacto entre ossos dentro do quadril”, descreve Patrick Godinho.

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO — Os principais sintomas iniciais de lesões do quadril são dores na virilha ou na lateral da região do quadril, especialmente durante atividades como dirigir por muito tempo, andar de avião ou realizar exercícios físicos de agachamento e leg press na academia. Segundo o ortopedista, identificar essas lesões precocemente é fundamental para evitar que elas causem a osteoartrose.

Na medida em que submetem o quadril a esforços, pessoas de 30 a 45 anos que praticam atividades físicas identificam os sintomas com mais facilidade e têm condição de receber tratamento antes de desenvolverem a osteoartrose e necessitarem de uma prótese de quadril como solução. Já em pessoas sedentárias, as mesmas lesões podem passar despercebidas, impedindo o diagnóstico e o tratamento precoces. Por isso, a prática de exercícios acompanhada por profissionais qualificados é muito recomendada”, alerta o médico.

Quanto mais tardio for o diagnóstico de lesões no quadril, maiores as chances de o paciente sofrer com as limitações trazidas pela osteoartrose. Em alguns casos, o indivíduo perde completamente a capacidade de abrir e fechar as pernas, de andar sem claudicar (arrastar a perna sem firmeza) ou de sentar num ângulo de 90 graus, todas situações que pioram significativamente sua qualidade de vida.

TRATAMENTO — No estágio inicial, o tratamento do impacto no quadril é conservador, ou seja, feito com a suspensão de determinadas atividades físicas e auxílio de fisioterapia. Subir e descer escadas (ou atividades que simulem esses movimentos) e praticar musculação em aparelhos como oleg press e o abdutor, por exemplo, ficam temporariamente proibidos. Além disso, com o auxílio de um fisioterapeuta capacitado para lidar com patologias do quadril, o paciente pode submeter-se à hidroterapia em piscina aquecida, além de praticar pilates para redirecionamento pélvico.

Nos pacientes em que esse tratamento não funciona, recomenda-se a realização da artroscopia de quadril, técnica cirúrgica minimamente invasiva que permite a realização de cirurgias de grande incisão com pequenos cortes e menores complicações. A cirurgia aberta é uma alternativa para o tratamento de lesões de impacto e, nos pacientes em estágios mais avançados da osteoartrose, a prótese total de quadril pode ser a melhor indicação”, finaliza o ortopedista Patrick Godinho.

23/08/2015
   |   Fonte: Ascom - Grupo Santa

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