Sedentarismo aumenta risco de doenças cardiovasculares e reumáticas

Estudo inglês aponta que falta de atividades físicas mata duas vezes mais que obesidade

 

 

O sedentarismo e a obesidade têm grande influência no desenvolvimento de diversas doenças, entre elas as reumáticas e cardiovasculares. Mas um estudo realizado pela Universidade de Cambridge e publicado no American Journal of Clinical Nutrition identificou que a falta de atividades físicas pode matar duas vezes mais que o excesso de peso.

 

 

De acordo com a pesquisa, das 9,2 milhões de mortes na Europa, 337 mil foram atribuídas à obesidade e o dobro desse número, 676 mil, ao sedentarismo. Os resultados foram possíveis após o acompanhamento de 334.161 europeus durante 12 anos. Neste período, foram avaliados os níveis de exercício praticados por cada um e a medida de sua circunferência abdominal registrada a cada morte.

 

 

Um das conclusões mais importantes a que os pesquisadores chegaram é que caminhar diariamente durante pelo menos 20 minutos pode reduzir o risco de morte prematura em até 30%. Ainda que o impacto da atividade física seja maior nos indivíduos com peso mais próximo ao considerado ideal, ele também é sentido entre as pessoas acima do peso ou mesmo obesas. Em todos os casos, o controle do peso com alimentação balanceada e a prática regular de atividades físicas diminuem sensivelmente a probabilidade de adoecimento.

 

 

Os profissionais do Hospital Santa Lúcia enfatizam: “As lesões cardiovasculares presentes na obesidade e no sedentarismo pioram a evolução de todas as doenças reumatológicas”, explica a reumatologista Sandra Andrade. “Vários problemas médicos graves têm sido relacionados à obesidade, mas o sedentarismo também está ligado a uma grande quantidade de doenças”, afirma o cardiologista Eduardo Nogueira.

 

 

DOENÇAS CARDIOVASCULARES – Na lista das doenças cardiovasculares mais comuns estão a doença arterial coronariana (DAC), a doença obstrutiva arterial periférica (DOAP) e os acidentes vasculares cerebrais (AVC). Em grande parte dos casos, todas elas são causadas pelo acúmulo de gordura na parede dos vasos sanguíneos.

 

 

“O sedentarismo está associado a numerosas doenças como a própria obesidade, além da hipertensão, alterações nos lipídios e diabetes tipo 2, que levam ao maior risco cardiovascular  – por exemplo, angina (estreitamento das artérias que conduzem sangue ao coração), infarto agudo do miocárdio e tromboses (formação de coágulos sanguíneos nas veias), entre outros”,  explica o cardiologista.

 

 

Após 12 semanas, o organismo já sente os efeitos positivos da prática de atividade física aeróbica realizada durante 30 a 60 minutos por dia, pelo menos cinco vezes por semana. A falta dela, porém, é um fator de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, independente da obesidade. “Além disso, o paciente que tem diabetes e hipertensão arterial, por exemplo, mas pratica exercícios, terá a mesma probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares que alguém que não apresenta essas comorbidades, mas não se exercita regularmente”, pondera o médico.

 

 

Outros hábitos de vida, como a ingestão de tabaco e álcool, além de uma alimentação com altos índices de gordura e açúcar, têm grande influência no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, mas podem ser modificados. “Associar a interrupção do tabagismo, perda de peso e diminuição do consumo de bebidas alcoólicas a uma dieta rica em vegetais e cereais, moderada ingestão de peixe e aves, baixa ingestão de laticínios, carne vermelha, carne processada e doces, além de quantidades moderadas de vinho nas refeições, são atitudes que trazem muitos benefícios”, enfatiza Eduardo Nogueira.

 

 

EXAMES – Os pacientes do sexo masculino apresentam mais doenças cardiovasculares que as mulheres antes da menopausa, quando os índices se aproximam. A idade é fator importante, já que a maioria dos casos acontece após os 40 anos. Por isso, avaliação cardiológica precoce é importante para pessoas com história familiar de doenças do coração, já que a genética é fator determinante no aparecimento de problemas cardíacos.

 

 

A avaliação deve ser iniciada entre os 30 e os 35 anos de idade para quem não desempenha atividade esportiva intensa. Indivíduos sedentários, mas sem histórico familiar de problemas cardíacos, podem começar um pouco mais tarde, por volta dos 35 aos 40 anos. “O eletrocardiograma, por exemplo, funciona como uma foto que registra o desempenho cardíaco naquele momento e dá subsídios para avaliar se o indivíduo tem condições de praticar atividade física e de andar numa esteira”, esclarece Eduardo.

 

 

 

DOENÇAS REUMÁTICAS – O reumatismo é a designação genérica das doenças reumáticas e, no domínio popular, está mais relacionado às doenças inflamatórias articulares que causam muitas dores e comprometem o movimento do corpo. Contudo, as doenças reumáticas podem acometer qualquer tecido, com ênfase nas articulações, músculos e ossos.

 

 

Elas são divididas em diversos tipos: degenerativas, inflamatórias, autoimunes, infecciosas, metabólicas e pós-traumáticas. Entre as mais comuns estão as degenerativas, como a artrose (degeneração das cartilagens) e a osteoporose (diminuição progressiva da densidade óssea e aumento do risco de fraturas); as relacionadas à percepção de dor, como a fibromialgia (dor crônica que se manifesta especialmente nos tendões e nas articulações); e as metabólicas, como a gota, em que o ácido úrico se acumula nas articulações e tendões.

 

 

O sedentarismo tem relação direta com o aumento das chances de desenvolver doenças metabólicas que alteram a capacidade de absorção, processamento e eliminação de substâncias do organismo, impactando a gravidade de todas as doenças reumatológicas. A obesidade, por sua vez, traz implicações mais diretas para as doenças reumáticas inflamatórias.

 

 

Uma pesquisa americana realizada pela West Virginia University and Center For Disease Control and Prevention (CDC), de Atlanta, sugeriu que exercícios são importantes no tratamento de adultos com diversas condições reumáticas e estão associados à melhora clínica dos sintomas dessas doenças. A análise reuniu 29 estudos que avaliaram exercícios aeróbicos, musculação ou ambos perdurando por pelo menos quatro semanas em um total de 2.449 adultos com fibromialgia, osteoartrite, artrite reumatoide ou lúpus eritematoso.

 

 

“Pode-se relacionar diretamente o sedentarismo a prejuízos à saúde do osso. Já a obesidade assemelha-se a um processo inflamatório, aumenta a carga nas articulações em membros inferiores e potencializa os efeitos destrutivos das inflamações articulares”, explica a reumatologista do Hospital Santa Lúcia, Sandra Andrade.

 

 

EXAMES – Segundo a médica, a única doença reumática que conta com exame preventivo é a osteoporose, que se caracteriza pela diminuição progressiva da densidade óssea e aumento do risco de fraturas. Ela pode ser prevenida com a realização de um exame chamado densitometria óssea, que mede a densidade mineral dos ossos para compará-la com padrões da idade e sexo do paciente. Para as mulheres, a densitometria é recomendada a partir dos 50 anos ou, antes disso, quando chega à fase da menopausa. Entre os homens, o exame deve ser feito a partir dos 70 anos.

 

 

Os sintomas de uma doença reumática podem ser similares aos de lesões traumáticas articulares – aquela pancada num jogo de futebol que deixou o joelho vermelho, inchado e dolorido, por exemplo. Se os sintomas persistirem por mais de seis semanas, o ideal é procurar o médico reumatologista para uma avaliação. A ressonância nuclear magnética, apesar de não ser um exame preventivo, é essencial para o diagnóstico precoce das doenças reumáticas.

01/03/2015
   |   Fonte: Ascom - Grupo Santa

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