Tabagismo está relacionado a mais de 80% dos casos de câncer de pulmão

O cigarro possui dezenas de componentes cancerígenos e agride diretamente o DNA das células normais do epitélio pulmonar, causando mutações que se somam e provocam o desenvolvimento do câncer de pulmão, o terceiro mais comum de todos os tumores malignos. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o aparecimento da doença tem aumentado em 2% por ano em todo o mundo e 80% dos casos estão relacionados ao tabagismo.

“O hábito de fumar é o grande vilão do aparecimento do câncer de pulmão, cuja incidência pode ser reduzida com a eliminação do vício. Contudo, em situações mais raras, infelizmente é possível que mutações específicas sejam responsáveis pelo desenvolvimento do tumor em pessoas mais jovens que nunca fumaram”, explica o oncologista do Hospital Santa Lúcia, Eduardo Vissotto.

A detecção precoce de qualquer doença é determinante para o sucesso do tratamento. No caso do câncer de pulmão, os números impressionam: em estágios iniciais, a cura pode ser superior a 90%. Já em pacientes com tumores avançados, a recuperação plena é inferior a 10%.

“Pessoas a partir de 55 anos e com histórico importante de tabagismo podem fazer a tomografia computadorizada de baixa dosagem, que muitas vezes consegue detectar nódulos malignos em fase inicial de desenvolvimento, permitindo aos profissionais oferecer tratamentos potencialmente curativos”, destaca Vissotto.

Segundo o especialista, a maioria dos pacientes descobre a doença em estágio avançado, muitas vezes incurável e com manifestação de sintomas como tosse, falta de ar e sangramento pelas vias respiratórias.

A tomografia de tórax é o exame indicado para a detecção do câncer de pulmão em pessoas acima de 55 anos e com consumo de tabaco maior que 30 anos/maço. O cálculo é feito multiplicando-se o número de maços consumidos por dia pelo total de anos em que o paciente se expôs ao tabagismo. O exame é realizado anualmente, deste de que não haja achados anormais.

Se os exames identificarem nódulos pulmonares suspeitos, deve-se proceder a uma biópsia para confirmar a sua natureza. Caso seja maligno, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes e pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapia-alvo, isolados ou combinados, a depender da classificação e estadiamento da doença.

O perigo, contudo, não se restringe aos tabagistas. “Uma pessoa que convive diariamente com um fumante, inalando a fumaça, apresenta risco de desenvolver câncer de pulmão até 20 vezes maior do que a população em geral, e esse risco é cumulativo. Quanto maior o tempo de exposição passiva ao cigarro, maiores as chances de desenvolver câncer de pulmão”, finaliza Eduardo Vissotto.

30/05/2016

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