Técnica avançada permite tratar doenças na região torácica

 

Em entrevista para a revista Sua Saúde, o cirurgião torácico, Dr. Manoel Ximenes, fala sobre o procedimento cirúrgico mais moderno para cuidar de doenças torácicas, como derrame pleural, lesões pulmonares, doenças esofágicas e câncer: a Cirurgia Torácica Videoassistida (CTVA) ou videotoracoscopia. Entre as principais vantagens para o paciente que se submete à técnica, estão a sua recuperação mais rápida e menor tempo de internação.

 

Dr. Manoel Ximenes, cirurgião torácico

1. Atualmente, qual a técnica cirúrgica mais avançada na terapia de doenças torácicas?

Utilizamos hoje, a técnica conhecida por Cirurgia Torácica Videoassistida (CTVA) ou videotoracoscopia, que consiste em um procedimento cirúrgico minimamente invasivo, realizado através de um toracoscópio introduzido na parede torácica do paciente. O toracoscópio é um tubo que permite a observação das superfícies pulmonares e da cavidade pleural e tratar as lesões na região.

 

Geralmente são feitas duas ou três pequenas incisões (2cm) através das quais são inseridas a câmera, equipamento de apreensão e grampeadores de diversos tipos, apropriados para cada procedimento. A anestesia é geral inalatória, usando tubo que permite a ventilação de um pulmão, já que o lado operado deve permanecer sem função para facilitar o procedimento.

 

2. Doenças torácicas são comuns? Acometem, com mais frequencia, quais tipos de pacientes?

As doenças torácicas são relativamente comuns e afetam todas as faixas etárias. As patologias mais comuns incluem tumores pulmonares benignos e malignos , pneumotórax, tumores mediastinais, tumores pleurais,  enfisema pulmonar e infecção do espaço pleural (empiema), além do trauma torácico.

 

3. Antes dessa técnica, como eram feitas as cirurgias para tratar as doenças torácicas?

A cirurgia torácica tradicional continua sendo realizada da mesma forma, mesmo porque nem todas as doenças permitem o uso da CTVA. Por exemplo, um paciente que não tem condição fisiológica de suportar a ventilação unilateral, não seria um candidato a CTVA.

 

4. Quais doenças torácicas podem ser tratadas pela videotoracoscopia?

Atualmente, o uso da CTVA possibilita o tratamento de praticamente todas as lesões do esôfago, diafragma, pulmões, pleura e mediastino, obviamente observando critérios rígidos de inclusão e exclusão. Inicialmente, há cerca de 15 anos, realizávamos a videotoracoscopia para o tratamento da hiperidrose (suor excessivo). Posteriormente, com o avanço científico e tecnológico, as possibilidades terapêuticas se ampliaram para patologias como pneumotórax espontâneo ou traumático, derrames pleurais, lesões pulmonares, doenças esofágicas, doenças do mediastino e cirurgia do simpático, especialmente quando indicada para tratamento da hiperidrose, seja facial, palmar, axilar ou combinação das mesmas. Na área cardiovascular, para ligadura de canal arterial persistente, revascularização de miocárdio, fechamento de comunicação atrial ou ventricular e posicionamento de válvulas do coração.

 

5 – Quais as vantagens da videotoracoscopia para o paciente?

Por se tratar de um procedimento menos invasivo, o paciente usualmente tem a recuperação mais rápida, melhor resultado estético, sente menos dor no pós-operatório, reduz o tempo de internação e tem retorno precoce às atividades profissionais e físicas.

 

6. Há contraindicações?

As contraindicações são consideradas relativas, porque podem ser superadas, dependendo, entre outros motivos, da capacidade técnica da equipe cirúrgica. Geralmente é contraindicada nos seguintes casos: pacientes com intolerância para suportar anestesia com ventilação unilateral; tumor acima de seis centímetros; linfadenopatia contralateral; envolvimento da parede torácica nos tumores de pulmão ou mediastino; aderências pleurais que impossibilitem o posicionamento dos instrumentos e os que estejam realizando terapia neoadjuvante ou quimioterapia.

 

7. Como deve ser a estrutura física e profissional para a realização do procedimento?

A videotoracoscopia deve ser feita por uma equipe profissional capacitada e treinada para a execução da técnica. Para se tornarem capacitados, o cirurgião e sua equipe passam por um programa de residência médica, além de congressos e cursos específicos. O anestesiologista precisa ser habilitado a realizar intubação seletiva e a equipe de enfermagem também deve ser devidamente treinada.

É importante que a estrutura hospitalar disponha de centro cirúrgico equipado e de Unidade de Terapia Intensiva habituada a lidar com os pacientes torácicos.

O Hospital Santa Lúcia e o Hospital possuem uma sala cirúrgica inteligente, com características especiais que permitem a execução de qualquer tipo de cirurgia videoassistida.

 

8. Quais as vantagens da sala cirúrgica inteligente?

A sala inteligente permite a realização de cirurgias videoassistidas com sistema de videoconferência e comando de voz. Isso é importante para a transmissão de dados e imagens do paciente à distância e em tempo real durante a realização de cirurgias de alta complexidade. O controle digital do equipamento facilita muito todas as manobras durante a operação.

14/09/2012
   |   Fonte: revista Sua Saúde

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