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PET-CT auxilia diagnóstico preciso de doenças neurodegenerativas, como a demência de Alzheimer

 

Viajar com a família, aprender algo novo no trabalho ou na faculdade, experimentar uma comida deliciosa, ouvir uma boa música e trocar confidências 
com amigos são bons exemplos de momentos para guardar na memória.

 

Mas, com o passar dos anos, essas lembranças podem ser afetadas. Primeiro, o esquecimento sobre o que se tomou no café da manhã.Depois, a ausência da lembrança de momentos e informações importantes, como o nome das pessoas, o lugar dos objetos e os horários dos compromissos, tarefas, até a evolução para a dificuldade em se comunicar.

 

Esses são sinais importantes que podem indicar a presença de doenças neurodegenerativas, como a demência de Alzheimer, que atinge cerca de 1,2 milhão de brasileiros. Apenas metade deles se trata, e, a cada ano, surgem 100 mil novos casos. A estimativa é a de que esse número dobre até 2030, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer.

 

“Doenças neurodegenerativas como a demência de Alzheimer ainda não têm cura, mas o diagnóstico precoce, com consequente início precoce do tratamento, pode retardar a progressão da doença e manter por mais tempo a função cerebral da pessoa”, avalia a médica especialista em Medicina Nuclear e Imagem Molecular, Karina Mosci.

 

Para diagnosticá-las com maior precisão, os pacientes podem realizar no Hospital Santa Lúcia Sul um dos exames mais avançados e seguros, a tomografia computadorizada por emissão de pósitrons, chamada de PET-CT neurológico. Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, maiores são as possibilidades de retardar os efeitos dessas doenças no organismo.

 

“O cérebro utiliza a glicose como principal forma de obter energia e, por meio da análise da presença do composto 18F-FDG, análogo da molécula de glicose marcado com um átomo radioativo, o flúor 18, podemos mapear e avaliar o funcionamento dos neurônios no cérebro”, explica a médica.

 

De acordo com ela, existem padrões característicos de alterações metabólicas cerebrais que podem ser detectados pelo exame e que ajudam significativamente o diagnóstico de algumas doenças neurodegenerativas específicas, como a demência de Alzheimer, e outras menos frequentes, a exemplo de demências frontotemporais, de corpúsculos de Lewy, Parkinson e Creutzfeldt-Jakob.

 

O diagnóstico definitivo da doença de Alzheimer só é possível com a avaliação de uma amostra do cérebro, que não é realizada normalmente. Além disso, estudos científicos comprovam que a avaliação clínica pode não ser suficiente para diagnosticar a doença.

 

“Por isso, o PET-CT neurológico é um importante instrumento. Quando as imagens são analisadas por profissionais experientes, a taxa de acerto no diagnóstico pode ser superior a 90%. E esse diagnóstico preciso é fundamental porque evita o uso desnecessário de medicações caras que não serão eficazes e que ainda poderão causar efeitos indesejados e, às vezes, graves”, revela Karina Mosci.

 

Solicitado por um médico especialista, de preferência neurologista, geriatra ou clínico geral, o exame é indicado para pacientes com sintomas indicativos de doenças degenerativas, mas que ainda não possuem uma apresentação clínica bem definida de demência. Em pessoas abaixo dos 65 anos que apresentam esquecimento leve quando comparado ao que seria normal na sua faixa etária, o PET-CT pode apontar uma propensão 
a um quadro de demência.

 

“Isso é muito importante, uma vez que doença de Alzheimer é devastadora não só para o indivíduo como também para toda a família envolvida, levando o paciente gradualmente à total dependência de um cuidador”, finaliza a médica, que em setembro de 2016 foi palestrante convidada do curso de neuroimagem promovido pela da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na Eslovênia.

Parte do time de profissionais do Hospital Santa Lúcia, Karina Mosci é especialista em Medicina Nuclear e Imagem Molecular, membro das sociedades de Medicina Nuclear no Brasil e nos Estados Unidos e integrante da Mesa Diretora de Neuroimagem da Sociedade Americana. Também atua como consultora para Medicina Nuclear e PET na América Latina.

 

O PET-CT neurológico é um exame relativamente simples e não possui efeitos colaterais. Sua realização leva em torno de 60 minutos. No procedimento, o médico injeta na corrente sanguínea um radiofármaco chamado 18F-FDG, análogo da glicose marcada com um átomo de flúor radioativo. Como o cérebro consome predominantemente glicose, esse material mostra como está a função dos neurônios e permite mapear se existe algum dano.

 

As imagens do cérebro são adquiridas após um intervalo de repouso de 30 a 40 minutos. Além de diferenciar com maior precisão as doenças neurodegenerativas, o exame também auxilia o diagnóstico de outras doenças, como o foco causador da epilepsia, de infecção cerebral e de alguns tipos de tumores cerebrais.

 

02/10/2017

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