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O câncer primário de fígado mais comum, respondendo por 70 a 85% dos casos, é o hepatocarcinoma, que tem origem nos hepatócitos — as células do fígado. Uma de suas características é apresentar comportamento bastante agressivo. Seguindo em menor escala está o colangiocarcinoma, com aproximadamente 10 a 15% dos casos. Este tem sua gênese nas células que pavimentam a camada interna dos ductos biliares intra e extra-hepáticos. Os outros 5% são tumores raros, como o hemangioendotelioma, o hemangiopericitoma e o linfoma.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o hepatocarcinoma é o quinto tipo mais comum de câncer entre os homens e o sétimo entre as mulheres. Em 2012, 783 mil pessoas foram acometidas por esta doença em todo mundo e 83% destes pacientes eram de países em desenvolvimento. No Brasil, sua incidência é ainda relativamente baixa. Dados estatísticos da cidade de São Paulo mostrados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) evidenciam que a sua incidência é de 2 a 7 para 100 mil habitantes. Esses tumores acometem pacientes portadores de alguma doença que causa inflamação do tecido hepático e, raramente, são vistos em pacientes com fígado de aspecto e função normais.

Quais são as principais causas e fatores de risco deste tipo de câncer?

Os pacientes mais propensos a desenvolver este tumor estão na faixa etária dos 40 anos de idade e há uma incidência maior aos 70 anos. O câncer de fígado tem uma estreita relação com aqueles indivíduos portadores de hepatites crônicas B e C, cirrose de etiologia alcoólica, esteatose hepática (fígado gordo), hemocromatose, hepatites autoimunes, cirrose biliar primária e cirrose alcoólica, consideradas fatores de risco para o seu desenvolvimento.

O hepatocarcinoma, responsável por 2% das mortes por câncer no mundo, é — na maioria dos casos — uma consequência grave da cirrose hepática que, por sua vez, pode ser evitada por meio de mudanças nos hábitos de vida, como uso responsável e moderado de álcool, cuidados com a alimentação e prática constante de atividade física, já que a obesidade, e o consequente acúmulo de gordura no fígado (esteatose), é um fator importantíssimo para o seu aparecimento, sendo um das suas principais causas em países desenvolvidos.

Os tumores hepáticos primários, ou seja, os que se originam inicialmente no fígado, não são comuns e, em sua maioria, são consequências da cirrose. Cabe ressaltar que a vacinação contra a hepatite B teve um grande impacto na evolução da cirrose oriunda desta infecção. Os hepatocarcinomas, quando diagnosticados, devem ser sempre avaliados por equipe especializada que contemple profissionais experientes, uma vez que se trata de um órgão nobre e que, na imensa maioria dos casos, encontra-se inteiramente doente, tornando o tratamento, quando cirúrgico, extremamente complexo, desafiador e de alto risco.

Quais são os subtipos deste câncer?

As variantes mais comuns desta doença são os tumores fibrolamelares, presentes em 5% dos casos e encontrados em pacientes jovens, na faixa etária dos 5 aos 35 anos. Esses tumores costumam ser assintomáticos e atingem grandes volumes, entre 9 e 14 centímetros. O hepatoblastoma é o tumor primário mais comum em pacientes pediátricos e corresponde a 25% de todos os tumores hepáticos em crianças.

Como é feito o seu diagnóstico?

Primeiramente, é realizada a anamnese do paciente e um exame físico minucioso. A partir de então, são solicitados exames laboratoriais — função hepática, sorologia para hepatites, marcadores tumorais — e de imagem — ecografias, tomografias computadorizadas, ressonância magnética. Em casos raros e resultados duvidosos, é solicitada biópsia transcutânea guiada por tomografia. Esta última é realizada por radiologistas intervencionistas no Centro Oncológico.

Quais são os principais tratamentos para a doença?

O tratamento do câncer de fígado varia conforme o tipo de tumor, seu tamanho, localização e origem e se há doença associada, como cirrose hepática. Então, há uma série de terapias cirúrgicas que variam desde a retirada do tumor em si, de parte do fígado juntamente com um ou mais tumores que estão naquele determinado segmento e, até mesmo, o transplante. Além disso, há terapias locais ablativas por meio da utilização de determinados materiais que causam a queimadura do tumor por radiofrequência guiada por tomografia, ou ainda terapias vasculares cujo objetivo é cessar a nutrição sanguínea do tumor, visando a sua redução de tamanho para posterior retirada por cirurgia. Em alguns casos, é feita a terapia sistêmica com quimioterapia.

O Hospital Santa Lúcia tem um excelente time de profissionais que realiza reuniões multidisciplinares para debater os casos, a fim de alcançar as melhores estratégias para cada paciente, buscando sempre um tratamento humanizado e individualizado. A instituição conta ainda com uma excelente equipe de Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia, Odontologia e Psicologia para melhor atender as pacientes com câncer de fígado.