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Informações sobre prevenção e diagnóstico precoce

O câncer no mundo e no Brasil

Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) demonstram que, anualmente, são contabilizados mais de 14 milhões de novos casos de câncer no mundo inteiro e cerca de 8 milhões de mortes, no mesmo período, decorrentes de neoplasias. Nos Estados Unidos, mais de meio milhão de pessoas morre de câncer a cada ano, sendo esta a principal causa de óbitos no país na faixa etária de adultos abaixo de 85 anos.

Em 2017, contabilizou-se no Brasil o surgimento de 596 mil novos casos de câncer de todos os tipos, figurando como a segunda principal causa de morte em nosso país. Apesar do aumento das taxas de sobrevida e de cura obtido com os tratamentos vigentes, o valor absoluto de novos casos mantém-se elevado mesmo se comparado aos países mais ricos e desenvolvidos do mundo.

Dados apresentados pelas principais agências de pesquisa e combate ao câncer no mundo estimam que 50% dos casos de neoplasia podem ser prevenidos e evitados. Alcançar uma redução dessas ocorrências, no entanto, demanda dos serviços de saúde uma melhora da qualidade do serviço prestado, pautando-se em dois pilares: tratamento apropriado para as doenças em vigência; e ação preventiva adequada para minimizar o declínio futuro da saúde da população. As estratégias de prevenção têm por foco a transformação do ambiente e de fatores de risco cuja presença aumentam as chances do surgimento do câncer.

Fatores de risco

Percebendo que a prevenção tem por objetivo alterar o ambiente e os fatores de risco para o desenvolvimento de neoplasias, é preciso que tanto os profissionais de saúde quanto a população em geral entendam o que são e quais são os fatores de risco para câncer.

Em saúde, fatores de risco são quaisquer situações que provocam o aumento da probabilidade de surgimento de doença ou agravo de saúde. A presença de um fator de risco não incorre necessariamente no desenvolvimento da doença, mas aumenta sua eventualidade. O rastreio, controle e minimização desses fatores são, portanto, arma fundamental para redução de futuros casos.

Diversos fatores de risco para o câncer já foram identificados e estudados. Tabagismo, obesidade, alimentação inadequada e sedentarismo são associados a dois terços — cerca de 67% — de todos os casos nos Estados Unidos.

  • Tabagismo

O tabagismo como causa comprovada de diversos tipos de neoplasia responde por 21% do total de mortes devido a câncer no mundo. Aproximadamente metade de todos os fumantes vêm a óbito em decorrência de doenças relacionadas ao uso do tabaco. Estudos demonstram que um adulto fumante perde cerca de 13 anos de expectativa de vida em comparação à população não fumante.

  • Alimentação

Apesar de não haver consenso na literatura sobre um padrão único de dieta a ser seguido de forma a evitar o câncer, diversos estudos demonstram que a população adepta de padrões saudáveis de alimentação apresentam menor risco para certos tipos da doença. Grande quantidade de comidas enlatadas e com alto teor de processamento industrial, salgadinhos empacotados, refrigerantes e alimentos instantâneos, tais como sopas e carnes congeladas, elevam em cerca de 10% o risco total de desenvolvimento de neoplasias.

  • Peso corporal

O excesso de peso está associado ao risco aumentado para vários tipos de câncer, sendo estimado como causa de 20% de todos os casos da doença. Essa associação apresenta evidência científica suficiente para concluir-se que a ausência de excesso de gordura corporal apresenta efeito de prevenção para diversos tipos de câncer.

  • Hábitos sexuais

Estima-se que 17% de todos os novos casos de câncer no mundo sejam relacionados a infecções. Dentre os principais exemplos podemos citar a relação do HPV com o câncer de colo de útero; vírus da hepatite B e C relacionados a um tipo de câncer no fígado; HTLV e leucemia em adultos; HIV e sarcoma de Kaposi, bem como linfoma não Hodgkin; dentre outros.

A precocidade do início da vida sexual e parceiros múltiplos estão associados ao maior risco de câncer de colo de útero.

  • Fatores ocupacionais

A má qualidade do ar no local de trabalho e a exposição a diversos produtos químicos com potencial carcinogênico aumentam o risco de surgimento de alguns tipos de câncer em determinados grupos de trabalhadores. Os principais agentes cancerígenos ocupacionais são o amianto, o formaldeído, o grupo de derivados do benzeno e os agrotóxicos.

  • Álcool

O consumo em excesso de álcool aumenta o risco de surgimento de diversos tipos de câncer. O risco geral aumenta em cerca de 6% para cada 10g de álcool (de um tipo) ingeridos diariamente. Cerca de 3,6% dos casos mundiais de câncer estão diretamente relacionados ao uso crônico da substância.

  • Exposição solar

Mais de um milhão de novos casos de câncer de pele são descobertos anualmente. O risco está diretamente relacionado ao tempo total de exposição solar durante a vida, apresentando caráter cumulativo.

  • Radiações

Exposição à radiação do tipo ionizante, seja de fonte natural ou de fontes feitas pelo homem, aumenta o risco de diversos tipos de malignidade — leucemia ou mesmo tumores sólidos. A radiação usada com propósito de tratamento tem potencial para salvar vidas, mas o uso inadequado — em intensidade ou frequência excessiva — pode ser prejudicial ao paciente, sendo, portanto, de suma importância o correto acompanhamento médico especializado para prevenir efeitos colaterais indesejáveis e aumento desnecessário de riscos.

  • Medicamentos

Medicamentos à base de imunossupressores e de hormônios elevam o risco de surgimento de alguns tipos de câncer. Outra classe de medicamentos que pode elevar o risco é a dos antineoplásicos — medicamentos usados para tratar o câncer e que, a curto prazo e dentro dos protocolos existentes, apresentam baixo risco para o surgimento de neoplasias, mas que a longo prazo ou se utilizados de forma inadequada podem aumentar as chances de desenvolvimento da doença.

A importância do diagnóstico precoce

Aliado às estratégias de prevenção, o diagnóstico precoce fornece ao paciente uma chance maior de cura e aumento de sobrevida, uma vez que possibilita a intervenção antes do desenvolvimento do câncer propriamente dito ou em suas fases iniciais, quando o tratamento é, na maioria dos casos, mais efetivo.

As consequências de atraso no tratamento são a menor possibilidade de cura, uma menor sobrevida, maior morbidade — a somatória de condições biopsicossociais que diminuem a qualidade de vida — e o aumento do custo de tratamento, resultando em crescimento da mortalidade e maior número de pacientes incapacitados e com sequelas graves após o tratamento. Mesmo em países com sistemas de saúde implementados, o diagnóstico tardio figura como principal entrave para o aumento do tempo de sobrevida e taxa de cura.

Existem três etapas para o diagnóstico precoce do câncer

  1. Aprimorar a consciência da população quanto ao câncer. Neste patamar, o intuito maior é reduzir o estigma que paira sobre aqueles que apresentam o diagnóstico, bem como aprimorar o entendimento da população aos fatores de risco e às políticas públicas de rastreio, como a realização de mamografia e de exame de Papanicolau com indicação adequada para rastreamento de câncer de mama e colo de útero.
  2. Melhoria da capacidade diagnóstica.
  3. Por fim, o encaminhamento de pacientes para centros de excelência com capacidade de tratamento adequado, a exemplo do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia.